O Presidente da República reiterou que tem estudados todos os cenários pós-eleitorais e recordou que há mais de 30 anos que deixaram de ser possíveis os Governos presidenciais.
 

"Temos estudado todos, todos os cenários, todos os cenários foram estudados na Presidência da República ao longo deste tempo, agora só nos falta saber qual o cenário que vai ser determinado pelos portugueses depois da sete da tarde".


Voltando a apelar para que todos os portugueses "organizem a sua vida" para que ainda possam votar até à 19:00, Cavaco Silva lembrou ainda a propósito dos cenários pós-eleitorais que os Governos saem dos partidos "em resultados dos votos" e que a partir da revisão constitucional de 1982 deixaram de ser possíveis Governos presidenciais.

Em declarações aos jornalistas à saída da secção onde exerceu o seu direito de voto, acompanhado pela mulher, o Presidente da República escusou-se a fazer qualquer "especulação" sobre os resultados das eleições legislativas de hoje, dizendo que "aguarda com toda a serenidade".
 

"Especulações não faço, aguardo com toda a serenidade o conhecimento dos resultados e amanhã, como se costuma dizer, é um dia em que o Presidente da República tem de refletir muito, muito, muito bem."


Quanto à abstenção, Cavaco Silva lembrou que não votar "não resolve qualquer problema", insistindo que "cada um deve participar na escolha que quer o futuro do país" e lamentando que, ao contrário do que sempre aconteceu, hoje se realizem jogos de futebol.
 

"Sempre pensei que era possível ajustar os calendários, parece que as organizações futebolísticas e os clubes não o conseguiram fazer, mas que não seja desculpa para os portugueses não irem votar, eu convido todos a organizarem a sua vida ainda esta tarde e encontrarem um espaço para exercer o direito cívico de votar".

 

A ausência no 5 de Outubro


O Presidente da República desvalorizou ainda as críticas à sua ausência nas comemorações do 5 de Outubro, lembrando que essa tem sido sempre a conduta dos chefes de Estado quando a Implantação da República "calha em tempo eleitoral".

"Os Presidentes da República não vão às cerimónias do 5 de Outubro quando calha em tempo eleitoral, foi assim com os meus antecessores, é assim comigo".


Questionado sobre as críticas que têm sido feitas à sua decisão de não estar presente na cerimónia de comemoração do 5 de Outubro na Câmara de Lisboa, Cavaco Silva lembrou que não só os seus antecessores, como ele próprio já tiveram decisão idêntica anteriormente.
 

"Os Presidentes da República não costumam ir em tempo eleitoral à câmara municipal no dia 5, foi assim com os meus antecessores, foi assim comigo noutra ocasião e será assim comigo amanhã".



Desde que o dia da Implantação da República deixou de ser feriado, este será o primeiro ano que se irá comemorar num dia útil e será o dia seguinte às eleições legislativas.

Já em 2005, nas vésperas das eleições autárquicas, o modelo das comemorações foi diferente do habitual. As cerimónias decorreram no Palácio da Ajuda, mas contaram com a presença do então Presidente da República Jorge Sampaio, que fez uma intervenção.

Em 2009, quando as comemorações do 05 de Outubro também se realizaram em vésperas de eleições autárquicas, e já com Cavaco Silva enquanto chefe de Estado, o formato também foi alterado. O Presidente da República optou por não se deslocar à câmara de Lisboa, mas abriu ao público os jardins do Palácio de Belém, onde proferiu uma pequena intervenção alusiva aos 99 anos da Implantação da República.