O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, defendeu hoje que nas próximas eleições legislativas Portugal precisa de um Governo com apoio maioritário na Assembleia da República, de forma a fazer cumprir as regras comunitárias.

"Depois de Portugal ter ficado sujeito a um programa de ajustamento que impôs pesados sacrifícios aos portugueses, precisamos de um Governo que tenha apoio maioritário na Assembleia da República, de forma a cumprir as regras comunitárias, no que diz respeito ao controlo do défice orçamental, sustentabilidade da dívida pública e também no que diz respeito às reformas necessárias para a competitividade da economia portuguesa", alegou.

No entanto, se não for possível o entendimento, "é preciso aguardar".


"Temos de aguardar e talvez dissesse que, antes de tomar qualquer decisão, têm de visitar esta região para voltar com um novo espírito de compromisso", acrescentou.

No início de Maio, o Expresso noticiava de que o cenário de 2009, no qual o Presidente da República deu posse ao Governo minoritário de José Sócrates, é considerado irrepetível em Belém.

Depois de uma visita a dois concelhos do norte do distrito de Viseu - Penedono e S. João da Pesqueira - o Presidente da República admitiu aos jornalistas que regressa a Belém de alma cheia.

"É um outro espírito, crença e vontade de vencer, um otimismo perante o futuro e a convicção de que com trabalho podem ultrapassar as dificuldades. Não encontrei aqui o discurso da desgraça, do miserabilismo, da descrença que encontramos com frequência nos agentes políticos em Lisboa ou na comunicação social", sustentou.

Cavaco Silva, que na sexta-feira esteve em outros dois concelhos do distrito de Viseu - Moimenta da Beira e Tabuaço - aproveitou ainda a ocasião para convidar políticos e dirigentes sindicais a visitar a região.

"Gostaria de convidar os políticos e os líderes sindicais que se fixam apenas nos corredores e gabinetes de Lisboa a virem aqui ao norte, eixo do Douro Vinhateiro, a contactar com as pessoas e os autarcas. Estou convencido que voltariam mais abertos a trabalhar em conjunto, à cultura do compromisso e diálogo para resolver os problemas do país: voltariam menos crispados e até menos violentos na linguagem, porque qualquer um, quando vem aqui, enche a alma, porque o espírito é diferente", referiu.


No seu entender, "vale a pena visitar o Douro vinhateiro, não apenas para tirar prazer de conhecer os prazeres desta terra, mas também para voltar a casa, aos corredores do poder em Lisboa, com outra alma e espírito mais positivo e é isso que o país precisa", frisou.
 

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