O Presidente da República remeteu esta terça-feira para os partidos uma decisão sobre a alteração da lei que regula a cobertura das campanhas eleitorais, lembrando que ainda têm pelo menos dois meses para o fazerem antes das próximas legislativas.

"Eu não comento os trabalhos da Assembleia da República, ainda temos pelo menos dois meses de sessões, mas a agenda é acertada pela presidente mais os grupos parlamentares, são eles que decidem", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, quando questionado se entende ainda existir tempo para os partidos alterarem a lei que regula a cobertura das campanhas eleitorais.


No domingo, em conversa informal com os jornalistas quando viajava para a Noruega, onde se encontra em visita oficial desde segunda-feira, Cavaco Silva disse que a lei que regula a cobertura das campanhas eleitorais era "a lei mais anacrónica que existe", motivando várias reações em Portugal, nomeadamente da Comissão Nacional de Eleições - que disse haver "muita confusão" em torno da interpretação da lei - e dos partidos.

Enquanto o PS remeteu para as "mãos da maioria" a decisão sobre eventuais alterações à lei sobre a cobertura mediática das eleições, o líder parlamentar dos centristas, Nuno Magalhães, garantiu que PSD e CDS-PP estão conscientes dessa necessidade e que quando existirem "novidades" os jornalistas saberão.

Numa conversa com os jornalistas num hotel em Bergen, na Noruega, Cavaco Silva lembrou que em 2009, na mensagem que dirigiu aos portugueses antes das eleições autárquicas tinha utilizado precisamente a mesma expressão.

Portanto, acrescentou, "não foi nada de novo" aquilo que foi dito no domingo, cita a Lusa.


"Sendo uma conversa informal eu normalmente não presto atenção à sequência que lhe é dada, até porque me limitei a dar alguma informação aos senhores jornalistas a contar-lhes aquilo que aconteceu em anos anteriores, em datas de eleições em fim de legislatura, foi apenas porque alguns podiam não ter presente que apenas no ano de 2009, por razões muito especiais, as eleições de fim de legislatura tiveram lugar em setembro", referiu.

Na conversa com os jornalistas esta tarde em Bergen, o Presidente da República foi ainda questionado sobre a notícia avançada pelo Jornal de Negócios de que Mário Centeno, o responsável pela coordenação do trabalho de 12 economistas que prepararam o cenário macroeconómico do PS, seria um dos oradores da conferência internacional que a Presidência da República irá organizar nos dias 15 e 16 de maio sobre os jovens em Portugal, mas Cavaco Silva escusou-se a responder.

"Estou na Noruega com uma agenda muito específica (…) e tenho duas pessoas que estão a tratar da conferência internacional sobre os jovens em Portugal, que vai ter lugar no próximo fim de semana a oito dias, e daqui não faço qualquer comentário sobre aqueles que foram convidados para estar presentes nesta conferencia internacional", disse.

Interrogado sobre a greve da TAP, o Presidente da República disse nada mais ter a acrescentar às declarações que fez sobre o assunto na semana passada.

Na quinta-feira, Cavaco Silva admitiu que a greve de 10 dias dos pilotos da TAP, que começou no dia 01 de maio, poderá ter como consequência o despedimento de trabalhadores, lembrando situações semelhantes em outras companhias aéreas europeias.

"Deus queira que na TAP não aconteça aquilo que aconteceu noutros países da União Europeia, em que as companhias de aviação foram forçadas a realizar despedimentos muito significativos e a cortar nas rotas. Mas, pelas informações que disponho neste momento, eu começo a recear que algo semelhante possa vir a acontecer na TAP", declarou na altura.