O Presidente da República anunciou esta quinta-feira «mais um passo no reforço da cooperação» entre Portugal e Moçambique, indicando a atribuição de uma bolsa de estudo a um jovem médico moçambicano na área da cardiologia.

«Foi decidida a atribuição de uma bolsa de estudo a um jovem médico moçambicano para especialização em cardiologia diagnóstico evasivo no Hospital Universitário de Coimbra», disse o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, durante uma visita ao Instituto do Coração de Moçambique, em Maputo.

Considerando que se trata de mais um passo no sentido do reforço da cooperação entre Portugal e um país com o qual existem «relações muito particulares», Cavaco Silva disse que além deste estágio, o Instituto da Cooperação e da Língua está também disposto a apoiar parcerias que sejam apresentadas para «projetos específicos de capacitação institucional», quer pelo Instituto do Coração de Moçambique, quer pela Organização Não Governamental (ONG) portuguesa Cadeira da Esperança.

«A cooperação na área da saúde é uma das prioridades da cooperação externa portuguesa», acrescentou.

Na sua intervenção, proferida antes da visita que realizou às instalações do Instituto do Coração de Moçambique, o Presidente da República enalteceu ainda o trabalho que tem sido desenvolvido ao longo dos anos pela cardiologista Beatriz Ferreira, a «alma da instituição».

«Como fundadora da ONG e como diretora geral e através do Instituto do Coração colocou à disposição das crianças moçambicanas serviços de qualidade para todos aqueles que sofrem de doenças cardiovasculares, deu vida a crianças moçambicanas que de outra forma encontrariam cedo a sua morte. Portanto, salvou muitas crianças moçambicanas», sublinhou.

Cavaco Silva recordou ainda que Beatriz Ferreira foi condecorada no passado dia 10 de Junho com a Ordem da Liberdade, assinalando que se tratou da distinção certa.

«O valor mais importante da liberdade é a vida e a senhora tem trabalhado para dar vida a mais crianças moçambicanas», vincou.

Já depois da visita de Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas, Beatriz Ferreira enfatizou a necessidade de mais apoios para operar mais crianças.

«Temos lista de espera, mas cada cirurgia custa-nos cerca de 10 mil dólares e estamos a fazer cerca de 130 por ano, mas precisamos de mais apoio para operar mais crianças por ano», apelou, referindo igualmente a necessidade de mais investimento para equipamento e para aumentar o espaço.

O Instituto do Coração de Moçambique, que é resultado da associação da ONG moçambicana amigos do Coração e de quatro ONG europeias, entre as quais a portuguesa Cadeia de Esperança, foi criado em Maputo em 2001.

Até agora já operou 1.186 doentes ao coração, maioritariamente crianças, das quais 92% gratuitamente.

Como não beneficia de apoio do Orçamento do Estado moçambicano, o Instituto do Coração realiza diversas atividades da área da cardiologia e cirurgias em outras áreas clínicas para garantir financiamento.

Atualmente, o Instituto do Coração de Moçambique tem 287 trabalhadores, dos quais 24 médicos efetivos e 73 em regime de prestação de serviços, 48 enfermeiros efetivos e 35 profissionais das áreas de laboratório, radiologia e farmácia.