Agora que os destinos políticos do país voltaram às mãos do Presidente da República, depois de o Governo de Passos Coelho ter caído no Parlamento no dia 10 de novembro, Cavaco Silva começou já a receber algumas personalidades em Belém, antes de tomar uma decisão, e vai retomar as audiências na quarta-feira.

Desta vez, são os presidentes dos principais bancos a operar em Portugal que vão ser recebidos pelo chefe de Estado no Palácio de Belém, disse à Lusa fonte da Presidência da República.

Cavaco Silva ouviu os parceiros sociais na semana passada e interrompeu as audiências por causa de uma viagem de dia e meio à Madeira. 

Das nove entidades ouvidas por Cavaco Silva, duas defenderam claramente eleições antecipadas (Confederação do Agricultores e Fórum para a Competitividade) e duas pronunciaram-se explicitamente a favor de um Governo PS (as centrais sindicais UGT e CGTP), enquanto as restantes não apontaram claramente a solução que defendem.

O valor da estabilidade foi destacado pela Confederação Empresarial de Portugal (CIP), a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) e a Associação das Empresas Familiares, com esta última a dizer que considera apenas dois cenários - um Governo minoritário do PS ou um Governo de iniciativa presidencial.

Alguns parceiros sociais alertaram ainda para o risco dos acordos à esquerda do PS com BE, PCP e PEV esvaziarem a concertação social, como a CIP, ou o Conselho Económico e Social (CES), cujo presidente manifestou a sua preferência por um Governo "ao centro", tal como a CTP.

A Confederação de Comércio e Serviços (CCP) disse não simpatizar com um Governo de gestão.

Ontem, o Presidente da República pareceu não ter pressa na indigitação do primeiro-ministro e fez questão de recordar que ele próprio, enquanto tal, ficou cinco meses em gestão

Também na segunda-feira, Passos Coelho disse que pensa que "em duas semanas" a situação política do país "estará clarificada" pelo Presidente. Estas declarações foram captadas pela câmara da TVI, numa conversa com o ex-presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, que esteve ontem em Lisboa e com Portugal cumpriu um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos atentados de Paris.