O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, manifestou hoje o «apoio inequívoco» de Portugal ao processo de paz na Colômbia, elogiando «a coragem» com que o Presidente Juan Manuel Santos se esforça por «vencer as resistências» à paz.

«Portugal apoia de forma inequívoca os esforços do presidente Santos para alcançar, através do diálogo, o fim de uma luta armada que trouxe sofrimento a tantos colombianos», afirmou o Presidente português após um encontro com o homólogo colombiano em Lisboa.

«Felicito-o pela coragem em empenhar-se pessoalmente nestas negociações», prosseguiu Cavaco Silva, evocando a sua experiência em negociações de paz como as de Angola ou de Moçambique para salientar que «é preciso muita coragem dos presidentes para vencer as resistências».

O Presidente português declarou-se ainda convencido de que todos os Estados democráticos europeus “apoiam firmemente” as negociações e desejam «o seu sucesso» e estão abertos a apoiar acordos que venham a ser concluídos.

Juan Manuel Santos, que está em Portugal no âmbito de um périplo por vários países europeus, agradeceu «profundamente o apoio de Portugal e de toda a Europa».

O presidente colombiano, que já esteve em Bruxelas, Berlim e Madrid, e que de Lisboa segue para Paris e Londres, destacou o «consenso em todas as forças políticas (europeias) de apoio ao processo de paz», manifestando o desejo de vir a haver «um consenso semelhante» na Colômbia.

Sublinhando que o processo atravessa «a fase mais difícil e complexa», Santos destacou os ganhos que a paz trará à economia colombiana – perspetivando um crescimento adicional de dois pontos percentuais – e à Europa, como o contributo para o combate ao tráfico de droga ou as alterações climáticas.

As negociações de paz para pôr termo ao conflito colombiano, que em 50 anos fez 220.000 mortos e 5,3 milhões de deslocados, iniciaram-se em 2012 em Havana e conheceram recentemente desenvolvimentos importantes.

Na semana passada, a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) anunciou que a partir de agora será representada exclusivamente por altos dirigentes nas negociações.

As FARC reconheceram, por outro lado, que as suas ações violentas «afetaram civis», um «mea culpa» que se sucede ao reconhecimento pelo presidente Santos, em julho, da responsabilidade do Estado colombiano em «graves violações dos direitos humanos e do direito humanitário internacional ao longo dos últimos 50 anos».