O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, afirmou esta sexta-feira que o combate ao terrorismo “não passa pela construção de fortes ou de muros”, mas por uma “ação concertada” com cooperação nos domínios da defesa, segurança e justiça.

“A resposta a essas novas ameaças, como o terrorismo transnacional, não passa já pela construção de fortes imponentes ou de muros. Passa pela ação concertada, pelo reforço da cooperação nos domínios da defesa, da segurança e da justiça”, disse o chefe de Estado, durante o discurso da cerimónia de inauguração das obras de reabilitação do Forte da Graça, em Elvas.

Uma colaboração, continuou, “tendo em vista o objetivo comum de uma sociedade tolerante e humanista, onde cada um possa viver em segurança e respeito mútuo”.

Para Cavaco Silva, estes valores, que são o “timbre” do projeto europeu, “não podem ser colocados em causa”, defendendo, por isso, que devem ser “sublinhados e proclamados” pelo conjunto das nações europeias, cientes de que a “união as faz mais fortes”.

“Num tempo em que, face à pressão de fluxos migratórios e perante as novas ameaças, voltamos a ouvir falar de fronteiras, devemos recordar a conquista que representou o estabelecimento de um ‘espaço de liberdade, segurança e justiça’ no interior da União Europeia”, disse.

O Presidente da República sublinhou ainda que a liberdade de circulação de pessoas estabelecida no Acordo de Schengen, ao qual Portugal aderiu em 1991, é “estruturante” para o projeto europeu.

“Devemos ser firmes na sua defesa. Faz hoje parte do modo de vida no interior da União Europeia, pontuando uma era de paz e de melhoria das condições de vida sem precedentes na história do nosso continente”, disse.

As obras de reabilitação do Forte da Graça representam um investimento de 6,1 milhões de euros. O emblemático forte, que espera receber 100 mil visitantes, durante o próximo ano, é composto por um conjunto de fortificações abaluartadas, classificadas como Património Mundial, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

Para Cavaco Silva, a recuperação daquele espaço vai dar a conhecer ao público um “notável exemplo” da arquitetura militar europeia, considerando ainda que aquele espaço é um dos “mais emblemáticos” do conjunto de fortificações de Elvas que foram inscritas pela UNESCO.

“Na verdade, a intervenção de conservação e restauro, entretanto realizada no Forte da Graça, não só restituiu ao edifício a imponência e a monumentalidade da sua traça original, como ainda respeitou plenamente o prazo e os orçamentos previstos”, declarou.

A realização das obras surgiu na sequência da transferência, em 2014, de cerca de 30 prédios militares, situados na cidade raiana de Elvas, no distrito de Portalegre, do Estado para o município, sendo o Forte da Graça um dos mais emblemáticos.

O protocolo com o Estado estipulou a recuperação e reutilização deste monumento nacional que se encontrava degradado, sendo a cedência por um período de 40 anos e, eventualmente, renovável por outros períodos até perfazer o total de 75 anos.

No espaço, a Câmara de Elvas pretende instalar um Centro Interpretativo do Forte da Graça, bem como outras infraestruturas relacionadas com serviços educativos e com a área do património.

Durante a intervenção, foram ainda repostas todas as cores originais do forte e recuperadas as estruturas, como a cisterna, a prisão, as galerias de tiro e a capela, onde foram descobertos frescos do século XIX, também alvo de intervenção.