O Presidente da República sublinhou, esta quarta-feira, o "papel único e insubstituível" das Forças Armadas na defesa de Portugal e defendeu a preservação e dignificação da condição militar, porque lesá-la ou desvalorizá-la é "enfraquecer a nação".

Pela sua História, pela sua missão e pelas capacidades que possuem, as Forças Armadas têm, hoje como ontem, um papel único e insubstituível na defesa de Portugal e dos portugueses", afirmou o chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas, Aníbal Cavaco Silva, na cerimónia de ‘despedida' que se realizou no Instituto Universitário Militar.

Numa intervenção onde manifestou o seu orgulho por ter servido o país nas Forças Armadas e a honra de ter sido, nos últimos dez anos, o seu Comandante Supremo, Cavaco Silva defendeu que a preservação e a dignificação da condição militar são obrigações que devem ser assumidas pelo Estado e cultivadas com "honra e sobriedade" pelos militares: "lesar ou desvalorizar a condição militar é enfraquecer a nação", sustentou.

Neste momento de despedida, a mensagem só podia ser de elevado apreço, de profundo reconhecimento, de esperança e de estímulo. A todos vós, militares, a minha saudação e o meu agradecimento, porque sei bem que o lema que seguis é apenas um e o mais nobre: servir Portugal", disse Cavaco Silva, que termina o mandato a 09 de março.

Considerando que a associação constitucional do Presidente da República às Forças Armadas sublinha e acentua o seu caráter eminentemente nacional e suprapartidário, o chefe de Estado lembrou ainda a necessidade de uma cultura de compromisso e consenso institucional entre as forças políticas e os diferentes órgãos de soberania relativamente às Forças Armadas.

Um consenso que tem existido e que se revela indispensável para garantir o apoio eficaz à ação de comando das chefias e as condições de estabilidade, coesão e disciplina essenciais para o normal funcionamento da instituição militar", vincou, notando que nas sucessivas reformas que foram acontecendo "imperou sempre a prudência relativamente a soluções que pudessem descaracterizar as Forças Armadas e enfraquecer a sua capacidade de intervenção".

Pois, acrescentou, "o país e os portugueses não compreenderiam a existência de umas Forças Armadas sem a prontidão e o nível de resposta adequados para o cumprimento das missões".

Lembrando que, ao longo dos últimos dez anos, acompanhou de perto os respetivos processos de reforma da Defesa Nacional e das Forças Armadas, o Presidente da República falou ainda do futuro, defendendo que terminada que está a fase de elaboração das leis que enquadram essas reformas é necessário assegurar a estabilidade legislativa, bem como os recursos necessários para que possa ser avaliada a sua adequação aos objetivos propostos.

Forças Armadas despedem-se do “antigo alferes” 

As Forças Armadas despediram-se esta quarta-feira do "antigo alferes" Aníbal Cavaco Silva, numa cerimónia onde foi lembrada a sua permanente preocupação com as condições do exercício do comando dos chefes militares.

Como é apanágio da nossa tradição, os comandantes não se despedem, simplesmente terminam o exercício do seu cargo, mantendo-se na memória individual e coletiva dos seus subordinados", disse o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), Pina Monteiro, numa cerimónia no Instituto Universitário Militar de despedida das Forças Armadas ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, que termina o mandato a 09 de março.

Falando perante as mais altas patentes e 600 militares em parada, o CEMGFA apontou como um dos aspetos mais relevantes do mandato do chefe de Estado em relação às Forças Armadas a "permanente preocupação com as condições para o exercício do comando pelos chefes militares".

É justo reconhecer publicamente nesta cerimónia que as Forças Armadas sempre contaram com a especial atenção do Comandante Supremo, em prol da preservação da estabilidade e prestígio de um pilar incontornável para a nossa afirmação soberana", disse Pina Monteiro, destacando ainda o "especial interesse e preocupação" de Cavaco Silva com a manutenção das condições indispensáveis ao exercício do comando por parte dos chefes militares e, consequentemente, "de toda a cadeia de comando, valorizando a carreira militar e o respeito pela sua especificidade".

Na sua intervenção, o CEMGFA recordou ainda a carreira do "antigo alferes" Cavaco Silva, recuando até 05 de agosto de 1962, quando foi incorporado no exército português, para embarcar depois no ano seguinte para Lourenço Marques.

Serviu, durante dois anos, no Conselho Administrativo e na Chefia do Serviço de Contabilidade e Administração (…), onde lhe foram reconhecidas, em público louvor, a sua capacidade de trabalho, correção, inteligência e dotes de caráter", lembrou.

Em 1965, acrescentou, passou à disponibilidade, depois de ter cumprido mais de três anos de serviço militar.

Quarenta anos depois, mais concretamente em 09 de março de 2006, o antigo alferes, professor doutor Aníbal Cavaco Silva, toma posse como Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, ocupando, por inerência, o primeiro lugar na sua hierarquia", disse.

No final do discurso, onde também foi destacada a decisão de Cavaco Silva de associar as Forças Armadas às comemorações do Dia de Portugal, os chefes militares entregaram-lhe uma espada de cada um dos ramos.

Será uma honra solicitar a vossa excelência que aceite o símbolo de comando, materializado por uma espada de cada um dos ramos, como reconhecimento e todo o apreço no momento de render da guarda do Comandante Supremo das Forças Armadas Portuguesas", declarou Pina Monteiro.