O Presidente da República defendeu esta segunda-feira que além da solidariedade que é fundamental os europeus demonstrarem em relação aos refugiados, é necessário investir mais na solução dos conflitos na Líbia, na Síria ou no Iraque.

"Espero que o mesmo esforço que neste momento a Europa dedica e outros países como os Estados Unidos da América, o Canadá, o Japão, a Austrália dedicam ao acolhimento de refugiados dediquem também à resolução dos conflitos que estão a gerar estes movimentos migratórios que são extremamente difíceis de controlar, isto é, que se invista mais na solução do conflito na Líbia, na Síria, no Iraque e noutras partes do mundo", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva.


Desta forma, acrescentou, não se deve apenas pensar "na solidariedade que é fundamental os europeus demonstrarem em relação a estes refugiados", mas pensar também na criação de condições para que essas pessoas possam ficar nas suas casas, criando condições de emprego e desenvolvimento.

Cavaco Silva, que falava durante uma conferência de imprensa conjunta com o Presidente do Senegal, que iniciou na segunda-feira uma visita de Estado a Portugal, reforçou ainda a ideia que ninguém pode ficar indiferente à "tragédia dos refugiados" que todos os dias chegam à Europa, considerando que "cada país europeu deve fazer um esforço extraordinário de solidariedade no quadro das suas possibilidades".

Contudo, referiu, trata-se de uma tragédia global e, por isso, é indispensável os países não europeus darem também o seu contributo para acolher os refugiados.

"Portugal está totalmente ao lado das instâncias comunitárias na procura de uma solução europeia para este problemas, uma solução que tem de ser solidária, que respeite a dignidade das pessoas e no quadro da tradição humanitária da Europa", frisou.


Mas, insistiu, é necessário olhar também para as causas dos movimentos migratórios, para as razões pelas quais diariamente chegam milhares de refugiados à Europa: "É preciso olhar para os conflitos no norte de África, no Médio Oriente, os conflitos na Líbia, os conflitos na Síria, os conflitos no Iraque, os conflitos no Afeganistão e em outros países".

"É fundamental um trabalho conjunto com países de trânsito e de origem destes movimentos migratórios", sustentou.


O Presidente do Senegal, Macky Sall, destacou igualmente a "relação direta" que existe entre a insegurança, a guerra e os movimentos migratórios, corroborando a ideia do chefe de Estado português de que é preciso "trabalhar com as populações nos seus territórios", dar-lhes condições para ficarem nos seus países de origem.

"É preciso agir a montante para fixar as populações, para evitar que saiam dos seus países", preconizou.