Para Cavaco Silva, as instituições europeias devem verificar se a Grécia cumpre os compromissos assumidos no passado. O Presidente da República mostrou-se crítico do governo de Alex Tsipras, que pretende uma nova solução para o pagamento da dívida. 

«Portugal tem vindo a demonstrar solidariedade em relação à Grécia para que ela permaneça na zona do Euro, para além do empréstimo que fizemos à Grécia de cerca de mil e 100 milhões de euros, Portugal tem vindo a transferir para a Grécia o produto do juros das obrigações na posse do Banco de Portugal, o que significa muitos milhões de euros que saem da bolsa dos contribuintes portugueses. Na medida em que a política económica de um Estado-membro diz respeito a todos os outros Estados, atendendo à interdependência das economias, cabe à Comissão [Europeia], ao Eurogrupo e ao Conselho [Europeu] verificar se as propostas do governo grego satisfazem as regras que vigoram na União Europeia e os compromissos que esses países assumiram no passado».

«Cada um não pode fazer o que bem entende», considerou , alertando que «cada País não pode fazer o que quer porque pode prejudicar os outros». «Somos solidários, mas temos de ser responsáveis», vincou.

Notando que nas últimas semanas «o Governo grego já aprendeu bastante sobre o funcionamento da União Económica e Monetária» e tem vindo a corrigir as suas posições, Cavaco Silva fez votos para que essa correção prossiga para que se possa chegar a um entendimento na reunião extraordinária do Eurogrupo que se realiza hoje em Bruxelas.
 
Cavaco Silva regozija-se com o pagamento antecipado de 14 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional. «É um ganho para Portugal, é um ganho para os portugueses e eu espero que seja um ganho para aqueles que foram mais atingidos pelos problemas que atingiram o nosso país», afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas à saída da sessão de abertura do X Congresso Nacional do Milho, que decorre num hotel de Lisboa.

«Quem diria há um ano atrás que Portugal não precisava de um segundo resgate, que Portugal não precisava de um programa cautelar e quem se atrevia a antecipar que Portugal ia pagar antecipadamente ao FMI os empréstimos que foi obrigado a contrair», interrogou.

A TVI avançou na segunda-feira  que o Governo português se prepara para pagar antecipadamente 14 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional, uma informação confirmada depois pelo Ministério das Finanças com a indicação de que Portugal já enviou aos credores internacionais o plano de reembolso antecipado, segundo o qual prevê devolver o montante ao longo de dois anos e meio.

Posteriormente, uma porta-voz do executivo comunitário afirmou que o plano de reembolso antecipado ao FMI está já a ser avaliado pelas instituições europeias, merecendo à partida o aval da Comissão Europeia.

Caso este plano seja aprovado, isto significa que Portugal vai devolver mais de metade do crédito devido à instituição liderada por Christine Lagarde em dois anos e meio, uma vez que o Fundo emprestou 27,38 mil milhões de euros, de acordo com a versão mais recente do calendário de amortização da dívida direta do Estado da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), de janeiro.

A 21 de janeiro, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, já tinha anunciado no Parlamento que Portugal vai proceder ao pagamento antecipado do empréstimo contraído ao FMI durante o resgate financeiro do país, uma vez que o Estado acumulou «um montante de reservas de liquidez muito significativo» que permite «enfrentar com muita tranquilidade» eventuais dificuldades futuras.