O Presidente da República garantiu que a imagem de Portugal no exterior não está a ser afetada pelos recentes casos mediáticos, sem nunca se referir ao BES, a José Sócrates ou ao processo dos vistos gold.

«Acontecem casos em todos os países e nós temos que mostrar ao mundo que Portugal é uma democracia, com instituições democráticas sólidas e onde são respeitadas as competências de cada um desses órgãos. Olha-se para Portugal como um país onde as instituições democráticas estão a funcionar com normalidade».


Cavaco Silva, que falava aos jornalistas no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, assegurou que ainda não encontrou qualquer sinal de «menor consideração ou respeito» por Portugal, nem se falou «uma única vez» destes casos.

«Nunca foi colocada uma questão que estivesse relacionada com a credibilidade e a imagem de Portugal no exterior, apesar dessa situação de alguma dificuldade que acabou de referir. Eu levo esta satisfação comigo».


O Presidente da República disse também que a sua visita aos Emirados Árabes Unidos abriu portas que podem conduzir a novas exportações e a mais investimento em Portugal, adiantando que foram estabelecidos alguns negócios concretos.

Cavaco falou num «novo ciclo de relações» com este país do Golfo Pérsico, que tem «muitos recursos financeiros disponíveis», um mercado muito competitivo e um elevado poder de compra.

Segundo Cavaco Silva, durante a visita, tentou-se explicar aos investidores e empresários dos Emirados as potencialidades de Portugal, a situação económica do país e o ambiente de negócios favorável que é oferecido.

«Senti que há ainda conhecimento insuficiente de Portugal», admitiu. Contudo, acrescentou, «ficaram abertas portas que podem conduzir a novas exportações e a mais investimento em Portugal».


O Presidente da República fez ainda alusão à satisfação do pequeno grupo de empresários que acompanhou a comitiva presidencial pelos contactos realizados, revelando mesmo que foram estabelecidos alguns negócios.

«Um empresário terá firmado um importante negócio de exportação com empresas do Dubai, que fornece para os Emirados em geral e também para a zona do Golfo em geral», adiantou, escusando-se contudo a revelar o setor a que pertence esta empresa portuguesa.

Apesar dos resultados positivos, Cavaco Silva não deixou, contudo, de alertar para a necessidade de «dar seguimento ao que se fez e às portas que se abriram», insistindo que a visita de um Presidente da República é sempre importante, mas que depois há que «trabalhar muito para se ter algo de concreto», em especial numa região exigente como os Emirados.

Outro dos «sinais» apontados pelo Presidente da República como indicativos do sucesso da sua viagem foi o facto do príncipe herdeiro ter aceitado o convite que lhe foi feito para visitar Portugal.

Por outro lado, acrescentou, um dos fundos soberanos vai organizar uma missão técnica a Portugal para explorar oportunidades e possibilidades de investimento.

Na conversa com os jornalistas, Cavaco Silva foi questionado sobre a questão da privatização da TAP, depois de ao almoço ter reforçado perante empresários e investidores que esse processo «está sobre a mesa».

«Estes são investidores cautelosos, que não fazem muitas declarações públicas, que dizem que querem estudar as oportunidades de negócios, mas não posso dizer-lhe que tenha notado algum interesse especifico em relação à privatização da nossa companhia aérea. Mas não consigo penetrar na sua mente de negócios, por isso temos de aguardar».


Relativamente ao interesse do fundo soberano ADIA poder ter algum interesse na venda do Novo Banco, o Presidente da República referiu-se que na conversa que manteve na quarta-feira com o seu líder apenas se falou do setor financeiro em geral, não tendo sido identificadas instituições em particular.