Catarina Martins disse ao Presidente da República “que António Costa deve ser indigitado o mais rapidamente possível para formar um novo governo”.
 
O Bloco de Esquerda foi o terceiro dos partidos com assento parlamentar a ser ouvido por Cavaco Silva, esta sexta-feira, de modo a que o Presidente resolva a situação política em que Portugal se encontra e decida se nomeia um novo primeiro-ministro ou mantém Passos Coelho em funções, após o chumbo do programa de governo da coligação PSD/CDS no Parlamento. 
 
Os partidos estão a ser ouvidos pelo Chefe de Estado por ordem decrescente à sua representação no hemiciclo, pelo que Catarina Martins, líder da terceira força mais votada, entrou a seguir a António Costa, do PS. Passos Coelho, pelo PSD, foi o primeiro a reunir-se com Cavaco Silva.

“O BE considera que a situação atual não é justificável” e que “Portugal tem estado sem governo e numa instabilidade” que não tem permitido a discussão do Orçamento do Estado, depois da rejeição do programa de governo do PSD/CDS.

Num encontro mais breve com Cavaco Silva do que Costa ou Passos, Catarina Martins disse aos jornalistas que comunicou ao Presidente que pode convidar António Costa a formar governo “porque existe uma solução credível e duradoura para o horizonte da legislatura, na Assembleia da República, com uma nova maioria em que o BE está empenhado”. 

Questionada se está garantida a aprovação do Orçamento do Estado para 2016, a porta-voz do BE assegurou que as "balizas" foram negociadas e que o acordo "tem não só condições para aprovação de um programa de Governo, como tem compromissos económicos e financeiros para a aprovação do Orçamento do Estado".

"Trata-se de uma posição conjunta de várias forças políticas", acrescentou, adiantando que as "balizas dos compromissos de política económica e política social vão balizar também esse acordo ao longo de toda a legislatura".

Recusando "discutir fantasmas que não existem", Catarina Martins recordou ainda que a coligação PSD/CDS-PP tinha um acordo formal na anterior legislatura e isso não evitou que em 2013 existisse uma crise política.