O Bloco de Esquerda (BE) sugeriu, esta terça-feira, ao Presidente da República que na deslocação para a Guarda, onde vão decorrer as comemorações do Dia de Portugal, opte pelas vias alternativas às autoestradas, para sentir as dificuldades das populações.

O coordenador do BE da Guarda, Marco Loureiro, propõe que Cavaco Silva e a sua comitiva «optem por se deslocar por transporte rodoviário nas chamadas vias alternativas, ou seja, utilizando um dos percursos possíveis [entre Lisboa e Guarda] através das estradas nacionais EN2, EN16, EN17 e EN18 que, em alguns locais, já foram municipalizadas».

Com o desafio, o BE pretende sensibilizar o Presidente da República «para a necessidade de por cobro a esta medida injusta para com as populações do interior», segundo o dirigente distrital.

O BE lembra que a cidade da Guarda é servida pelas autoestradas A25 (Aveiro/Vilar Formoso) e A23 (Guarda/Torres Novas), duas antigas Scut (estradas sem custos para o utilizador) que foram concebidas como um «instrumento de correção de assimetrias regionais, numa região onde, segundo o Instituto Nacional de Estatística, a maior parte dos concelhos servidos por elas estão bem abaixo da média nacional do poder de compra per capita».

«A introdução de portagens veio agravar estes indicadores, dificultando a mobilidade de pessoas e mercadorias, afastando investimentos e fomentando o aumento das assimetrias litoral/interior, contribuindo assim para o despovoamento progressivo desta região», explica Marco Loureiro.

Tendo em conta a situação, o dirigente da comissão coordenadora distrital do BE/Guarda sugere que Cavaco Silva viaje pelas vias alternativas às autoestradas, para que possa ter «uma observação direta e mais aprofundada das dificuldades de mobilidade das populações» locais.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, designou este ano a cidade da Guarda para sede das comemorações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que vão decorrer nos dias 09 e 10 de junho.