
O Presidente da República diz que não pediu a fiscalização preventiva dos cortes de subsídios porque isso podia pôr em causa a entrada em vigor do próprio Orçamento do Estado.
«Se o Presidente da República mandasse para o Tribunal Constitucional para fiscalização preventiva a declaração de inconstitucional de uma simples alínea inviabilizaria totalmente o Orçamento. Deixava de haver Orçamento. Independente do julgamento que eu possa ter feito em relação ao Orçamento para 2012, imagine o que seria Portugal, tendo negociado com instituições internacionais um acordo de assistência financeira, se não tivéssemos Orçamento, quando ele é a peça central da política económica e financeira do país», disse Cavaco Silva aos jornalistas em Vila Nova da Barquinha.
Cavaco Silva não quer especular sobre que medidas vai o Governo tomar e espera pela reunião de Agosto entre executivo e os membros da troika.
«Não é fácil neste momento encontrar espaço para pedir mais sacrifícios para aqueles portugueses que já foram sacrificados, excepto se o poder executivo conseguisse encontrar algum grupo que até este momento escapou à chamada aos sacrifícios que têm sido exigidos aos portugueses», frisou, acrescentando:
«O Governo, juntamente com os representantes das três instituições internacionais, terá de analisar as consequências das alterações na situação internacional, em particular em Espanha, e as consequências da aplicação do acordo que existe e foi negociado pelo governo anterior. Com normalidade, deixemos que em Agosto se faça uma ponderação por quem deve ponderar, o Governo mais os representantes das instituições internacionais, sobre a situação portuguesa».