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Cavaco apoia imposto extra para ricos

Ideia foi defendida em campanha para as presidenciais de Janeiro. Esta sexta-feira, BE apresenta projecto de lei que incide sobre os rendimentos e património dos mais afortunados

Por: Redacção / PO  |  26- 8- 2011  10: 38

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Cavaco

Cavaco Silva é favorável à criação de um imposto extra para os mais ricos. A ideia foi defendida numa entrevista à Rádio Renascença, divulgada dois dias antes das eleições presidenciais de 23 de Janeiro. Este imposto incidiria apenas sobre os rendimentos e não sobre o património.

Na altura, Cavaco Silva sublinhou que, em alternativa ao corte de salários, o Governo de José Sócrates deveria ter optado pelo «contributo de todos os cidadãos». O então candidato presidencial foi taxativo: «Bastava, por exemplo, que fosse criado um imposto extra para todos os portugueses acima de um certo rendimento». E continuou, justificando, «que os sacrifícios exigidos nos últimos tempos não se dirigem a todos os portugueses».

Esta semana, França está em vias de avançar com a criação de um imposto dirigido aos mais ricos e Espanha encontra-se, nesta altura, a ponderar se avança também com uma medida semelhante. No caso francês, este imposto surgiu depois de um grupo de milionários se ter disponibilizado a contribuir, por via fiscal, para baixar o défice do país. Prepara-se um imposto que incide sobre três por cento dos rendimentos acima dos 500 mil euros.

Em Portugal, esta ideia foi apoiada por Joe Berardo, um dos mais ricos do país. «Se houver um grupo que queira ajudar, eu também estou disposto a isso», disse esta semana ao TVI24. Mas o assunto é polémico. Por exemplo, Américo Amorim, o mais rico de Portugal e uma dos 200 mais ricos do mundo, diz que não é rico, mas apenas «um trabalhador».

No Parlamento, PCP e BE têm sido os maiores defensores de um imposto para os mais afortunados, há já vários anos. Luís Fazenda, líder da banda bloquista, apresenta esta sexta-feira projecto de lei que cria um imposto solidário dirigido às grandes fortunas. Além do rendimento dos mais ricos, o BE pretende também taxar os bens patrimoniais mobiliários e imobiliários.

O assunto passou a constar da agenda de outras forças partidárias nacionais e até do próprio Governo, que promete estudar o assunto no próximo Conselho de Ministros.

Na ala esquerda, o PS juntou-se também ao coro que defende que os mais ricos também devem pagar a crise. O secretário-geral do PS, António José Seguro, solicitou, quinta-feira, à sua bancada parlamentar para estudar «novas formas de taxação sobre rendimentos de capital», declarando-se o partido «favorável a qualquer iniciativa» que diminua as diferenças entre ricos e pobres.

Também o deputado do PS e ex-presidente da AICEP, Basílio Horta, concorda com um especial sobre os mais ricos, «desde que englobe mesmo os mais ricos». «Estou de acordo que a distribuição de sacrifícios seja feita de maneira mais justa», afirmou o empresário, referindo-se ao anúncio do Governo de que vai analisar a hipótese de criar esse imposto.

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