Por: Redacção / CP | 10- 3- 2010 21: 12
Artigo actualizado às 22h36
Cavaco Silva considera que este Governo «tem toda a legitimidade para governar»,
mesmo envolto num clima de tensão e polémica acentuado sobretudo pelo caso Face Oculta.
«O Presidente da República
não pode demitir um Governo por falta de confiança política», disse, em entrevista à RTP.
O chefe de Estado sublinhou
que «nenhum partido apresentou uma moção de censura», por isso considera que «o Governo não perdeu a sua confiança na Assembleia
da República».
«A dissolução do Parlamento apenas deve ocorrer em situações políticas muito graves», insistiu,
referindo que só usaria essa «bomba atómica» em «situações muito, muito excepcionais».
Cavaco reforçou que «o Governo
não responde politicamente perante o Presidente da República», pelo que não lhe cabe demitir o Executivo de José Sócrates.
Questionado
sobre a hipótese de algum partido da oposição apresentar uma moção de censura, Cavaco Silva respondeu: «Ponderarei nessa altura.»
Reacções
do PSD e do CDS-PP
Reacções do PCP, BE e Verdes
Reacção do PS
Para o chefe de Estado, «o Governo está a tomar as medidas que considera
necessárias», sendo que «o Presidente da República não pode imiscuir-se nas actividades do Governo nem da oposição».
Acerca
do processo Face Oculta, Cavaco Silva tentou fugir às perguntas e resumiu: «Espero que esses processos façam o seu caminho,
que as responsabilidades sejam apuradas e que fique claro que ninguém está acima da lei».
PT/TVI: «No meu tempo
Governo saberia»
Questionado se, no tempo em que foi primeiro-ministro, um negócio como a compra da TVI por parte
da PT poderia acontecer sem o seu conhecimento prévio, o chefe de Estado respondeu negativamente.
«Eu penso que
não. Numa sociedade democrática, a compra de uma estação de televisão não pode deixar de ser uma operação transparente, tenho
alguma dificuldade que uma compra de tal relevância não seja objecto de uma transparência muito forte», disse.
No
entanto, o chefe de Estado ressalvou que, quando liderava o Governo, «a PT era uma empresa totalmente pública».
Questionado
se se sente esclarecido sobre esta matéria, apenas admitiu que «talvez os portugueses não estejam».
Tempo para
ponderar
Esta quarta-feira à noite Cavaco Silva reiterou que ainda tem muito tempo para ponderar sobre uma recandidatura
ao cargo, mas disse que irá verificar quando é que os seus antecessores fizeram essa reflexão.
«Há muito tempo para
ponderar essa matéria», afirmou Cavaco Silva.
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