
O Presidente da República aproveitou a mensagem de Ano Novo para deixar claro que não tenciona substituir-se ao Governo e à oposição, por o seu cargo estar «acima do combate político». Cavaco Silva apelou a que sejam encontrados entendimentos para resolver os problemas que afectam o país. E realçou que quando se dirige aos portugueses o faz quando acha que o interesse de Portugal assim o justifica, sem «nunca vender ilusões nem esconder a realidade». Deixou ainda um alerta para a «situação explosiva» que o desemprego e outros problemas podem gerar.
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«Na lógica do nosso sistema constitucional, não compete ao Presidente da República intervir naquilo que é o domínio exclusivo do Governo ou naquilo que é a actividade própria da oposição», disse o chefe de Estado na habitual mensagem que dirige ao país no primeiro dia de cada ano.
O Presidente salientou ainda que «Portugal dispõe de um Governo com todas as condições de legitimidade para governar, um Governo assente numa maioria relativa conquistada em eleições ainda há pouco realizadas».
Para Cavaco Silva, a actual conjuntura exige uma atitude proactiva para enfrentar as dificuldades. «Não devemos esperar que sejam os outros a impor a resolução dos nossos problemas», disse, acrescentando: «O novo quadro parlamentar, aliado à grave situação económica e social que o País vive, exige especial capacidade para promover entendimentos».
«Os portugueses compreenderiam mal que os diversos líderes políticos não se concentrassem na resolução dos problemas das pessoas e que não empenhassem o máximo do seu esforço na realização de entendimentos interpartidários», frisou o Presidente.
«Situação explosiva»
Sobre os problemas do país em concreto, o chefe de Estado não quis esquecer as finanças portuguesas, salientando que uma das prioridades dos partidos deveria centrar-se no desenvolvimento de «um entendimento sobre um plano credível para o médio prazo, de modo a colocar o défice do sector público e a dívida pública numa trajectória de sustentabilidade».
Para Cavaco Silva, o momento certo para que aconteça esta «concertação política» é «Orçamento do Estado para 2010», que deverá ser assumido com «responsabilidade de todas as partes» e servir «o interesse nacional».
O chefe de Estado mostrou-se muito preocupado com os efeitos da dívida externa e do desemprego. «Com este aumento da dívida externa e do desemprego, a que se junta o desequilíbrio das contas públicas, podemos caminhar para uma situação explosiva», avisou, deixando uma pallavra de alento para os desempregados, que no final de 2009 eram 548 mil.
Para o chefe de Estado o empenho da recuperação da economia deve fazer-se com uma aposta na produtividade, competitividade e também na credibilidade das instituições, mas sem deixar de lado «o apoio social aos mais vulneráveis e desprotegidos e às vítimas da crise».
Cavaco Silva fez ainda um apelo à valorização da «ética republicana». «A ética nos negócios, nos mercados e na vida empresarial, mas também na vida pública, tem de ser um princípio de conduta para todos», disse, realçando também a importância de salvaguardar o papel da família na sociedade.