A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, enalteceu hoje o resultado do partido nas últimas legislativas, mas reconheceu que se o partido tivesse mais força o Banif "não teria sido entregue ao Santander".

"Tivesse o Bloco tido mais força e o Banif não tinha sido entregue ao Santander. Tivesse o Bloco mais força e o governador do Banco de Portugal não continuava a assustar o país com ameaças de colapso bancário umas atrás das outras. Tivesse o Bloco mais força e Portugal não tinha assinado com a Turquia a vergonha do acordo anti-humanitário que é o contrário do que a Europa tinha que fazer", sustentou a porta-voz bloquista, aplaudida por centenas de militantes e apoiantes em Lisboa.

Catarina Martins falava no pavilhão desportivo do Casal Vistoso na sessão de abertura da X Convenção do Bloco de Esquerda, que hoje e no domingo decorre na capital portuguesa.

E frisou: "O Bloco teve 10% nas eleições [legislativas de outubro de 2015], determinamos a maioria mas não temos ainda a força para fazer o governo", e "falta muito, falta mesmo o mais difícil", mas o partido irá continuar a sua intervenção na defesa, por exemplo, do emprego e dos pensionistas.

Num discurso de aproximadamente 25 minutos, e aplaudido de pé no final, Catarina Martins reiterou que o Bloco é a "garantia da luta pelo emprego, pelo salário, pela pensão".

"Somos essa garantia a cada dia que passa na convergência parlamentar em que estamos empenhados. Mas para sermos sustentadamente essa garantia, este é o tempo de preparar o futuro", vincou, acrescentando que a Convenção que hoje arrancou irá "preparar as respostas que contam, para as lutas mais duras".

E concretizou: "A política que responde pelo seu país tem de preparar todos os cenários. Ficar à espera de ventos bons de Bruxelas ou Berlim não é só irrealista. É perigoso"

A porta-voz do Bloco anunciou também que há já um acordo com o executivo para se "acabar com a humilhação da obrigação das apresentações quinzenais" dos desempregados nos centros de emprego.

O Bloco admite que está ainda "longe" de acontecer tudo o que Portugal precisa: "Nesta sala não há nenhuma ilusão, por isso dizemos ao país que é assim mesmo: estamos ainda longe do tanto que precisamos de fazer. Queremos mais!", pediu Catarina Martins.

E, virando-se para o espaço europeu mas também para o Governo do PS, atirou: "Se a política nacional é hoje determinada pelo campo do que Bruxelas decide como possível, como responde a esquerda à Europa hoje? Pode responder pelo emprego quem afirma a prioridade aos compromissos europeus, como faz o PS?".

Bloco marca debate no parlamento sobre desemprego para 29 de junho

Ficou também a saber-se que o Bloco agendou para 29 de junho um debate potestativo – de caráter obrigatório - no parlamento em torno do desemprego e da "dignidade" que devem ter todos aqueles que se encontram sem emprego.

"Não aceitamos medidas que não servem nem para formação nem para encontrar emprego e que atribuem aos desempregados a culpa do desemprego. É preciso acabar com a perseguição às vítimas da crise", sublinhou a porta-voz do Bloco.

Já era conhecido que no dia 29 de junho iria haver no parlamento um debate potestativo marcado pelo BE, mas a porta-voz do partido explicou hoje a matéria que será levada a plenário da Assembleia da República.

"No próximo dia 29 de junho, em agendamento potestativo do Bloco, defendemos a dignidade de quem está desempregado. (…) Há já acordo com o Governo e vamos acabar com a humilhação da obrigação das apresentações quinzenais", vincou, referindo-se ao fim da obrigação das apresentações de todos os que não têm emprego e estão registados nos centros de emprego.

Catarina Martins falou também do acordo que já existe, e terá "aprovação final" parlamentar em breve, sobre a lei "que, entre outras alterações, determina que a renda apoiada passa a ser calculada pelo rendimento líquido, baixando as rendas e protegendo o direito à habitação".

"Há já acordo e em breve será a aprovação final no parlamento", disse, criticando depois a direita política.

Autárquicas serão “prova fundamental” de responsabilidade do Bloco 

Catarina Martins considerou ainda que as eleições autárquicas de 2017 serão uma "prova fundamental" da "responsabilidade que cresce" no partido.

O Bloco, disse a sua porta-voz, orgulha-se de uma "intervenção cada vez mais consistente" a nível autárquico: "Encontramo-nos nas lutas por um país pensado para as pessoas, desenhado para a inclusão, projetado para os desafios do futuro. Dentro de ano e meio, as eleições autárquicas serão uma prova fundamental para dar força a essa experiência e responsabilidade que cresce", sustentou a bloquista.

Nas últimas eleições autárquicas de 2013 o Bloco de Esquerda perdeu a única presidência de câmara que detinha no país, a de Salvaterra de Magos.