A porta-voz do Bloco de Esquerda disse este sábado que o Governo, de coligação PSD/CDS-PP, vai envergonhar o país nas reuniões do Eurogrupo e do Conselho Europeu na próxima semana, «servindo de capacho de Angela Merkel, como até aqui».

«Na semana que aí vem, vamos ter reuniões muito importantes, vamos ter reuniões do Eurogrupo, vamos ter reuniões do Conselho Europeu. Nós sabemos que não podemos contar com o nosso Governo para ter uma posição decente em nenhuma destas reuniões. Sabemos, infelizmente, que o nosso Governo nos vai envergonhar, servindo pura e simplesmente de capacho de Angela Merkel [chanceler alemã] como até aqui», afirmou Catarina Martins.

Num almoço com militantes em Leiria, referiu que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, no debate quinzenal no parlamento, disse que «não abriria a porta a nenhuma conferência europeia para a reestruturação das dívidas, que não acha que deve haver nenhum tipo de negociação».

«É um Governo que não defende o seu país, é um Governo que não defende a Europa, é um Governo que nos ataca a todos e que ataca esta possibilidade de uma solidariedade que possa fazer renascer cada um dos nossos países e a Europa», declarou.

No discurso, centrado na situação política grega, a porta-voz do Bloco, considerou que o Governo «é um dos mais incomodados por haver alguém que decidiu discutir política, alguém que decidiu que a política é uma coisa séria e é uma coisa de resposta à vida das pessoas e não é um concurso a ver quem se curva mais perante Angela Merkel e os mercados financeiros».

«O Governo português está incomodado e tem dito de tudo. Passos Coelho começou por dizer que tudo o que Syriza dizia eram contos de crianças. (...) Depois veio Marques Guedes [ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares] dizer que era o conto da cigarra e da formiga, tentando dizer algo ‘como os gregos têm tido uma boa vida e nós andamos aqui muito esforçados’, ou seja tentando semear o ódio entre os povos, que é sempre o pior de todos os caminhos», adiantou.

«Veio agora o ministro [da Economia] Pires de Lima - que é conhecido, aliás, por ter sempre afirmações sensatas, ponderadas e em tempo certo - dizer que está na altura dos gregos terem a sua ‘bitter pill’, tomarem o comprimido amargo», observou Catarina Martins.

Notando que na Grécia «há três milhões de pessoas sem acesso a cuidados de saúde», Catarina Martins questionou se se «pode ficar mais amargo que isto».

«Mas em Portugal precisámos mesmo para alguma coisa desta pílula amarga que Pires de Lima receita? Fez alguma coisa bem às nossas vidas termos escolas que não abrem no ano letivo, termos hospitais que não respondem nas urgências, termos uma em cada três crianças em situação de pobreza», perguntou.

«Eu bem sei onde está o sabor amargo quando se olha para a Grécia», acrescentou, assinalando que «o amargo está sim» no Governo, «que aquilo que quer e que quis sempre foi a desesperança como único caminho».

Para a porta-voz do BE, «isso está a mudar» e «a esperança é o que mais mete medo à direita, a esperança é o que mais mete medo à Comissão Europeia, ao diretório europeu, aos mercados financeiros».