A porta-voz do BE afirmou que o referendo na Grécia “é o momento histórico e uma oportunidade histórica para acabar com uma Europa da ditadura dos mercados”, apelando à esquerda para que seja solidária com o povo grego.

Para Catarina Martins, que falava esta manhã na sede do BE no Porto, “é preciso acabar com a ditadura da finança, é preciso que a democracia tenha lugar na Europa, é preciso que toda a esquerda afirme solidariamente que está com o povo grego e com a possibilidade de escolha na Grécia, que é aberta por esta decisão histórica” do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras.

Segundo a dirigente, a decisão que Tsipras de sexta-feira à noite de convocar um referendo a 5 de julho para que o povo decida se aceita, ou não, o acordo proposto pelos credores “é histórica numa Europa em que a Bruxelas todos têm que obedecer e em que Berlim manda em todos os outros”.
 

“O governo grego considera que as negociações não podem mais ficar neste pântano que vai destruindo o país a cada momento. Por uma vez, na Europa, há um povo que se vai poder pronunciar sobre as condições que lhe querem impor e vamos ter um referendo sobre a ditadura dos mercados e sobre a chantagem financeira que está a ser feita sobre o seu povo”.


Catarina Martins afirmou não ter dúvidas de que nos próximos dias haverá “doses de manipulação na Grécia”, bem como no resto da Europa, “de informação e contrainformação para tentar descredibilizar um processo que é democrático e que é vital para as decisões na Europa”.
 

“Temos visto ao longo destes anos como as instituições europeias e os mercados financeiros têm aversão à democracia e, por isso, compreendemos o incómodo que lhes possa estar a causar”.


A porta-voz referiu que o BE afirma “a completa solidariedade com o governo grego” por ter decidido “dar a voz ao povo”, considerando que esta determinação “é a democracia a responder contra a chantagem, é a voz do povo grego a não ficar refém dos mercados financeiros”.
 

“É, por isso, tão importante que haja uma solidariedade à esquerda, determinada, convicta e que se afirme na Grécia, mas também na Espanha, em França e em Portugal, e que se afirme pelo direito a uma Europa dos povos e não a uma Europa do sistema financeiro”.


A todos aqueles que consideram “a posição do governo grego intransigente” ou que “as instituições financeiras sabem o que fazem quando impõem condições aos países”, Catarina Martins chamou a atenção para “o desvio colossal para tudo o que o FMI disse que aconteceria na Grécia e para o que aconteceu”.

“O défice foi sempre em dobro e em triplo maior, a dívida foi sempre aumentando em dobro e em triplo, e o desemprego também, existindo hoje 60% de desemprego jovem”, lembrou, concluindo que “o que faz as pessoas levantarem-se hoje por toda a Europa contra as instituições financeiras que têm imposto a austeridade não é nenhuma insensatez nem nenhuma irresponsabilidade, pelo contrário, é responder precisamente à vida das pessoas”.