A coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins disse esta sexta-feira esperar que 2014 seja um «ano de viragem» e o ano «da desobediência à Europa da troika».

«Sabem que o Bloco de Esquerda não faltará a cada um dos passos para a construção desse caminho. Juntamos a nossa voz à sua. Que 2014 seja um ano de viragem. O ano da desobediência à Europa da troika para resgatar Portugal», declarou a bloquista numa mensagem de ano novo divulgada hoje.

Sobre 2013, Catarina Martins disse que «foi um ano difícil, como difíceis têm sido os últimos anos», fazendo um retrato da sociedade portuguesa.

«Algo está muito mal quando milhares de pessoas perderam o emprego, outras veem-se obrigadas a escolher entre pagar a comida ou as despesas na farmácia, a pobreza infantil é das mais altas da Europa e os mais velhos nunca sabem se podem contar com a pensão para que descontaram toda a vida», descreveu.

A parlamentar assinalou que «não tem de ser assim», até porque, considerou, «não é assim para todos».

«Os impostos sobre o trabalho aumentaram desmesuradamente, mas PSD, CDS e PS decidiram cortar os impostos sobre os lucros das grandes empresas. Os serviços e empresas públicas são privatizados, entregando rendas e lucros aos grandes grupos económicos internacionais. Ao mesmo tempo que quem vive do seu trabalho empobrece, aumenta o número de milionários e o tamanho da sua fortuna», frisou.

A coordenadora bloquista aproveitou a mensagem para criticar o Governo por estar «mais interessado nas palmadinhas das costas de Merkel do que em defender os interesses dos portugueses», sublinhando que o Bloco está do lado de quem diz que o futuro do país «passará sempre pela defesa de quem trabalha ou trabalhou, de quem quer trabalhar, e não pela defesa de quem apenas quer lucrar com os despojos da crise».