A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) Catarina Martins afirmou, na segunda-feira à noite, que o PS e o Governo, ou os socialistas e a troika, parecem um «casal desavindo», que não sabe da existência do divórcio.

«O PS e o Governo do PSD/CDS-PP, ou António José Seguro e a troika, parecem um daqueles casais desavindos que não se dão, que se queixam muito» e que «dizem mal aos vizinhos», ironizou.

De acordo com Catarina Martins, «aparentemente, António José Seguro não sabe que o divórcio já está instituído em Portugal e que é mesmo tempo de pôr à porta as malas da troika [Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional]».

Numa intervenção em Évora, Catarina Martins aludiu às declarações do secretário-geral do PS, António José Seguro, a propósito de Portugal não ter regressado na segunda-feira aos mercados.

Além da referência a Seguro, a coordenadora do BE apontou baterias às políticas do Governo, nomeadamente na área da Educação, com o ministro Nuno Crato no centro das críticas.

«É verdadeiramente intolerável que hoje [segunda-feira], 10 dias depois do início oficial do ano letivo, ainda haja tantas turmas sem professores, quando sabemos que tantos professores estão sem emprego», considerou.

O fim da obrigatoriedade da oferta do inglês nas Atividades de Enriquecimento Curricular no 1.º ciclo também não foi esquecida, com Catarina Martins a referir-se à reunião de segunda-feira entre Nuno Crato e David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação.

«Depois da reunião, chegaram os dois à conclusão que não fazem a mínima ideia de quantos alunos em Portugal é que têm acesso ao inglês no 1.º ciclo. Quando facilitismo e quanta incompetência», exclamou.

Para a coordenadora do BE, a atuação do Governo em matéria de educação rege-se por «retirar recursos à escola pública para os dar à escola privada».

«Este facilitismo de Nuno Crato com a escola pública não é por acaso. É o sintoma de quem quer voltar a uma escola velha, uma escola que seja frágil para quem mais precisa, dando todos os benefícios à escola privada, para quem pode tudo», acusou.