Catarina Martins considera que o Presidente da República "nunca contribuiu para nenhuma solução para o país", "tem sido parte dos problemas e é natural que o queria continuar a ser." A porta-voz do Bloco de Esquerda reagiu, assim, às declarações de Cavaco Silva, que, na quarta-feira, em Nova Iorque, sublinhou que sabia "muito bem aquilo que irá fazer" após as eleições. 

"O Presidente da República nunca contribuiu para nenhuma solução para o país, tem sido parte dos problemas e é natural que o queria continuar a ser."

A dirigente bloquista vincou, esta quinta-feira de manhã, à margem de uma ação de campanha no Porto, que Cavaco Silva governou durante quatro anos, "com um Governo que não fez nenhum orçamento dentro da Constituição" e que também achou isso "normal".

"Os contributos de Cavaco Silva para esta campanha eleitoral não são propriamente os mais sensatos por parte de um Presidente da República, mas ele também foi Presidente da República durante quatro anos com um Governo que não fez nenhum orçamento dentro da Constituição e também achou que isso era normal."


A candidata às legislativas lembrou que o ato eleitoral só acontece no domingo e, com ironia, sugeriu que alguém informasse o chefe de Estado sobre esse facto. Mais, Catarina Martins acrescentou que "o voto de cada pessoa vale tanto como o do Presidente de República". 

"As eleições são só no domingo. Talvez seja bom informar o Presidente da República que as eleiões são no domingo e ele fará depois de acordo com o resultado eleitoral. O voto de cada pessoa vale tanto como o do Presidente da República, é uma coisa extraordinária a democracia."


O Bloco de Esquerda visitou, esta quinta-feira de manhã, o Palácio do Bolhão, no Porto, que acolhe a Academia Contemporânea do Espetáculo (ACE). A ação de campanha, que coincidiu com o Dia Mundial da Música, serviu para o partido criticar o "ataque à cultura". "Um país que não tem uma política cultural pública é um país que não tem memória."

E foi neste contexto, sublinhando que é possível fazer melhor na cultura e no país, que Catarina Martins admitiu que o partido "quer mesmo ser Governo".

"O Bloco de Esquerda tem a convicção profunda e a determinação profunda que Portugal pode ter outro futuro. Não temos de ser o país que é o repositório de mão-de-obra barata para o norte ou para o centro da Europa, não temos que ser o país em que os salários são sempre baixos e as pensões sao sempre atacadas. Podemos ser muito melhores do que isso. Quando temos determinação queremos mesmo ser Governo porque acreditamos mesmo neste país e queremos mesmo mudá-lo para melhor."