O Bloco de Esquerda (BE) acusou esta terça-feira o primeiro-ministro de ser «completamente irrealista» por rejeitar a renegociação da dívida e esperar um crescimento económico em Portugal que nunca sucedeu em «nenhum país».

«Um primeiro-ministro que diz que quer conseguir no seu país condições que nunca aconteceram em nenhum país do mundo e que diz que a solução que foi utilizada ao longo da história em tantos países [renegociação da dívida] é irrealista é sim um primeiro-ministro irrealista», declarou a coordenadora do Bloco, Catarina Martins, em declarações aos jornalistas no parlamento.

A bloquista falava depois de Pedro Passos Coelho ter dito esta manhã que se assinasse o manifesto dado a conhecer para a reestruturação da dívida portuguesa estaria a pôr em causa o cumprimento das metas orçamentais a que o país está obrigado e a enviar uma «mensagem errada».

Admitindo ter tido conhecimento do manifesto pela leitura matinal da imprensa, Passos Coelho diz que se questionou se o mesmo não seria um «reflexo da atitude» de «negar a realidade».

Para o Bloco, o Tratado Orçamental e a política do Governo pretende traçar para Portugal um «caminho que nunca aconteceu em nenhum país do mundo», de constante crescimento por largos anos, mais a mais com políticas de austeridade a serem aplicadas.

«É uma receita irrealista e que falta à verdade e ao compromisso sério com os portugueses», disse Catarina Martins, realçando que a insistência em políticas de austeridade provocará «ondas de choque na economia» e o agudizar de uma crise social no país.

O BE, lembrou a coordenadora e deputada do partido, defende a reestruturação da dívida e «tem posto o dedo na necessidade» dessa mesma reestruturação «há já muito tempo».

O manifesto para a reestruturação da dívida, noticiado pelo Público, é assinado por diferentes personalidades da política de esquerda e de direita, casos dos ex-ministros das Finanças Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix, João Cravinho, Francisco Louçã, António Saraiva, Gomes Canotilho, Sampaio da Nóvoa, além de empresários e economistas, e pretende ser «um apelo de cidadãos para cidadãos».

Segundo o Público, o conteúdo do manifesto é divulgado na edição de quarta-feira.