O BE e o PCP criticaram esta quinta-feira a proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2015 na área da Cultura, considerando que representa um «grave desinvestimento» num setor que tem sofrido «cortes drásticos» nos últimos anos.

Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, contactada pela agência Lusa, indicou que na segunda-feira os bloquistas vão realizar uma audição pública no parlamento para ouvir várias entidades, com o objetivo de elaborar um caderno reivindicativo para o OE na área da Cultura.

«Nos últimos dez anos o orçamento para a cultura teve um corte de 75 por cento. Este OE para 2015 segue a mesma linha de desinvestimento no setor», considerou Catarina Martins, que fez uma apreciação, para já, genérica do documento nesta área.

Também o PCP lamentou a proposta de um «orçamento fraco, feito de migalhas que não são suficientes»para a área da Cultura.

«Não há justiça possível quando estamos abaixo do limiar no que toca a financiamento para a Cultura», afirmou o deputado Miguel Tiago à agência Lusa.

Para o deputado, o que mais preocupa o PCP, em matéria orçamental para a Cultura, é o apoio às artes, que tem sofrido «cortes drásticos» nos últimos anos.

Na mesma linha, Catarina Martins considera que a área da criação artística tem sido a mais penalizada, a par da área do património.

«Estes orçamentos que mostram todos os anos um subfinanciamento na área da cultura são preocupantes porque a degradação é continuada, e tudo o que acontece já é num quadro de fragilidade», avaliou a deputada bloquista.

A Cultura tem uma dotação orçamental de 219,2 milhões de euros inscrita na proposta de Orçamento do Estado para 2015, divulgada na quarta-feira pelo Governo, o que significa um aumento de 20,4 milhões em relação à proposta de OE de 2014.

A audição pública organizada pelo BE no parlamento está prevista para as 15:00 de segunda-feira e entre as entidades convidadas estão a Associação PLATEIA, a Artemrede - Teatros Associados, a Associação Portuguesa de Museologia (APOM), o ICOM Portugal (Conselho Internacional de Museus) e a REDE, associação de estruturas para a dança contemporânea.