A coordenadora bloquista, Catarina Martins, assegurou, neste domingo, que enquanto se cumprir o compromisso de parar a austeridade e o empobrecimento, o BE não vai criar crise política, instabilidade ou incerteza, sendo uma "garantia de estabilidade".

No encerramento do fórum socialismo, a rentrée política do BE que começou sexta-feira e acabou hoje em Santa Maria da Feira, Catarina Martins acusou a direita de se resumir "a esconder a sua política e a anunciar o desastre do país", considerando que recusar este desastre "exige de todos uma outra forma de fazer política".

O país sabe que o Bloco de Esquerda é uma garantia de estabilidade. Temos cumprido cada palavra do acordo que assinámos. E que ninguém duvide que enquanto se cumprir este compromisso com o povo de parar a austeridade e o empobrecimento, com medidas para servir o emprego, os salários, as pensões, não será o Bloco a criar crise política, instabilidade ou incerteza", assegurou.

Para a líder bloquista, "este tem de ser o tempo de políticas sólidas, consistentes, com continuidade, bem preparadas e por isso com possibilidade de sucesso".

Catarina Martins assume que "não tem sido fácil e já houve surpresas", como o exemplo do Banif, as ameaças das sanções, as dificuldades na CGD, a indefinição no Novo Banco, e as manobras no Banco de Portugal.

Mas vejam o que todas estas surpresas e instabilidade têm tido em comum: o responsável foi sempre o sistema financeiro, a banca, a Comissão Europeia", sustentou.

Segundo a coordenadora do BE, "quando o Governo hesitou ou quando recuou, no caso do Banif ou da segunda resolução do BES, do Bloco veio sempre uma alternativa prática, tecnicamente forte e realizável".

Não aceitamos que encerrem o país numa jaula de rendas e favores à finança. E trabalhamos todos os dias para libertar o país das garras do sistema financeiro", vincou.

Catarina Martins admite que "o caminho é estreito e em alguns momentos parece mesmo bloqueado", sendo a tarefa dos bloquistas "desbloquear e abrir caminho", sendo "cada dia um bico-de-obra".

A líder bloquista fez um resumo de um "fim de semana intenso", com 52 debates de variados temas, tendo este sido um dos fóruns Socialismo "mais participados de sempre", uma vez que ultrapassaram a marca das 500 pessoas que passaram pela Escola Secundária de Santa Maria da Feira.

Catarina Martins aproveitou ainda o balanço para falar do painel no qual entrou o ativista luso-angolano Luaty Beirão, através da internet, para criticar os partidos com assento parlamentar - PSD, PS, CDS-PP e PCP - que foram ao congresso do MPLA.

“Sentimo-nos bem por ficar fora do congresso do MPLA. Nenhum interesse, nenhum negócio nos faria esquecer o que é essencial: liberdade já!”, atirou.

“Nenhum passo atrás"

Catarina Martins avisou hoje que não pode ser dado "nenhum passo atrás" no próximo Orçamento, recusando a chantagem europeia e apontando 2017 como o ano do combate às rendas na saúde e energia.

Desengane-se quem pense que o Bloco se acomoda ao que foi feito até agora ou que a chantagem europeia diminui o alcance dos acordos que foram feitos. O nosso compromisso é com o fim do empobrecimento. Nenhum passo atrás e nenhuma transigência com os passos para dar e que fazem parte do compromisso comum da maioria parlamentar", disse a coordenadora do BE, sobre o Orçamento no Estado para 2017.

Para a bloquista, "2017 terá de ser o ano do combate às rendas, na saúde e como na energia", elencando ainda o aumento do salário mínimo nacional, a atualização das pensões e das prestações sociais, a justiça fiscal e o combate ao abuso laboral e à precariedade como as garantias dos bloquistas na negociação do orçamento.

"Difícil? Sim. Desistimos? Nunca", atirou, esperando que "nenhuma chantagem" os "faça perder a clareza" das suas "razões".

Catarina Martins aproveitou ainda o momento para anunciar uma conferência, que será organizada pela deputada do BE Mariana Mortágua, sobre o orçamento que se quer para Portugal, uma vez que os bloquistas querem que este debate "não exclua ninguém" e que seja "um debate de todo um país", convidando à participação de todos, sejam ou não do partido.

O caminho da recuperação de rendimentos não pode abandonar quem trabalhou toda uma vida. Este terá de ser o orçamento da reposição de direitos e terá de ser também um orçamento de combate ao privilégio para proteger o que é de todos", explicou.

Por isso, a líder bloquista entende que "a coragem de terminar com rendas aos colégios privados e reforçar a escola pública" levada a cabo pelo atual Ministério da Educação, liderado por Tiago Brandão Rodrigues, tem de se estender ao setor da saúde e da energia.

Para Catarina Martins, "é preciso olhar o futuro e o emprego", residindo da criação de postos de trabalho a estratégia para segunda metade da legislatura.

O emprego, o trabalho e as condições de trabalho são a nossa maior preocupação", vincou, considerando "absolutamente essencial reativar a contratação coletiva".

A coordenadora do BE aproveitou ainda para responder à CIP, que durante o verão disse que o Bloco é um perigo porque ataca os empresários.

"Enganou-se. O Bloco ataca quem abusa dos trabalhadores", respondeu, manifestando orgulho pela aprovação da lei contra o trabalho forçado.

Catarina Martins é perentória ao afirmar que "quem põe a economia em perigo não é quem defende os direitos de quem trabalha, mas sim aqueles patrões que não sabem mais do que jogar sujo e atacar quem trabalha".

CGD: Recapitalização pública é respeito pela democracia

A coordenadora do BE diz que a recapitalização pública da Caixa Geral de Depósitos é "respeito pela democracia e pela soberania" de Portugal, exigindo transparência no processo e respeito por todos os trabalhadores.

No discurso de encerramento do fórum Socialismo 2016, Catarina Martins falou pela primeira vez sobre o acordo alcançado pelo Governo com a Comissão Europeia relativamente à recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CDG).

O que se conseguiu, a recapitalização pública da Caixa é respeito pela democracia, é respeito pela soberania do nosso país. É agora necessário transparência, prestação de contas, responsabilização pelos erros passados e respeito por todos os trabalhadores e trabalhadoras da Caixa Geral de Depósitos", enfatizou.

A coordenadora bloquista assegurou ainda que o BE vai "exigir que o plano estratégico da Caixa sirva o emprego, a economia, a coesão territorial", ou seja, "o investimento público ao serviço do país", considerando que "vale a pena defender Portugal".

Juraram que a Caixa Geral de Depósitos teria de ser parcialmente privatizada para ser recapitalizada e foram derrotados. A direita apostou tudo na Comissão Europeia e no fanatismo da DGCom que sempre usou como desculpa para privatizar o que só pode ser público", recordou.

Na opinião de Catarina Martins, "depois de milhares de milhões de euros públicos a limpar bancos privados, forçar uma recapitalização por privados da CGD seria mais um assalto da finança internacional ao nosso país".

Ficariam com o nosso banco, o nosso dinheiro, o nosso instrumento para financiar a economia", criticou.