A coordenadora do Bloco de Esquerda acusou esta sexta-feira o Governo de se comportar como "uma espécie de carteirista", ao prometer devolver parte da sobretaxa de IRS em 2016 com dinheiro do IVA que ainda não restituiu às empresas.

"O Governo comporta-se como uma espécie de carteirista que, tendo roubado uma carteira com 100 euros, nos promete agora devolver 70 cêntimos, se lhe agradecermos, ou seja, se votarmos nele. E, mesmo esses 70 cêntimos que nos vai mostrando, não são dele, mas das empresas a quem não devolveu o IVA a tempo", alegou Catarina Martins.


Na sua intervenção na Festa da Sementeira, que decorreu em Viseu, a líder dos bloquistas sublinhou que tem dificuldade em qualificar um simulador que o Governo apresentou hoje no seu portal.

"O Governo criou um simulador no seu portal, para que as pessoas vejam quanto da sobretaxa lhes vai ser devolvido, se a recolha de impostos for boa. E dizem-nos que os dados da execução orçamental do primeiro semestre mostram que essa recolha pode vir a ser boa", referiu.


No seu entender, esta é mais uma promessa da coligação PSD-CDS/PP, que assenta numa quantidade alargada de "ses".

"Com tantos ‘ses' no caminho, ninguém sabe nada, não há certeza nenhuma, mas, o Governo já gastou o dinheiro de nós todos a criar um simulador no portal, que é um instrumento da propaganda PSD-CDS. Não há simulação nenhuma sobre números que não existem: é um assalto e um assalto para propaganda!", sustentou.


Ao longo do seu discurso, Catarina Martins evidenciou que "o saldo das contas públicas está pior, embora o saldo primário esteja um bocadinho melhor".

"Isto quer dizer que pagamos impostos como nunca, para ter menos educação do que nunca ou menos saúde do que nunca, porque mais dinheiro do que nunca está a ir para pagar a dívida pública", frisou.


De acordo com a porta-voz do BE, a dívida pública é gigantesca, considerando-a uma bomba relógio sobre a cabeça dos portugueses.

"É péssimo que todo o nosso esforço vá, cada vez mais, para os especuladores da dívida pública: para quem aposta na falência do nosso Estado", concluiu.


“Esta campanha é provavelmente a mais vergonhosa"


A coordenadora do Bloco de Esquerda considerou que a campanha para as próximas Legislativas "é provavelmente a mais vergonhosa a que o país assistiu", acusando o Governo de eleger a mentira e a desistência para vencer as eleições.

"Esta campanha é provavelmente a mais vergonhosa a que o nosso país já assistiu: não estávamos habituados a tamanha desfaçatez! Mas, estou convencida de que o Governo sabe que toda a gente sabe que eles estão a mentir!", alegou.


Catarina Martins sublinhou que o Governo elegeu a mentira como forma de campanha e a desistência como forma de ganhar as eleições.

"O Governo mente todos os dias, à espera que a mentira faça as pessoas ficarem em casa, desiludidas com a democracia e com a política. A mentira é uma forma de nos pôr em casa, de quem está mais revoltado e de quem mais sofreu com a crise ficar desalentado e não ir votar", sustentou.


Catarina Martins prometeu desmontar as mentiras que o Governo apresenta diariamente e apelou a que se continue a lutar por uma vida digna mesmo quando se pensa em desistir.

"É a estratégia da mentira e do medo que o Governo quer para estas eleições! O medo de que mudar alguma coisa possa ser ainda pior, depois de já nos ter oferecido o pior de todos os piores; e a mentira querendo a descrença de toda a atividade política", acrescentou.


No seu entender, nas próximas Eleições Legislativas os portugueses têm à sua escolha três caminhos possíveis.

Um dos caminhos é oferecido pel Coligação do PSD - CDS/PP, que "oferece a mentira e o medo para continuar a empobrecer o país".

"Depois há quem diga que é preciso uma outra política, mas que é melhor não abanar o barco e não fazer nada de muito diferente porque isso pode ser perigoso: isso é-nos oferecido pelo PS", evidenciou.


Por fim, a líder bloquista apontou como terceiro caminho, "a escolha que importa porque muda a vida dos portugueses".

"Com a reestruturação da dívida, com uma reforma fiscal e o aumento do salário mínimo nacional é possível dar uma vida digna aos portugueses", concluiu.