A coordenadora do BE Catarina Martins antecipou que o partido irá votar favoravelmente da moção de censura ao Governo anunciada pelo PEV, criticando Cavaco Silva por querer salvar o programa de ajustamento e não o país.

«Como sabem, na Assembleia da República vai ser apresentada uma moção de censura ao Governo. O Bloco de Esquerda acha que o Governo merece censura. Afirma-o com clareza. O Governo merece censura e lá estaremos a censurá-lo também», disse Catarina Martins, no primeiro comício de verão do Bloco de Esquerda, que decorreu em Matosinhos.

A coordenadora do Bloco de Esquerda fez um discurso muito duro contra os acontecimentos políticos dos últimos dias e contra o Governo suportado pela coligação PSD/CDS-PP, executivo que «já morreu», considerando que «a política não é um jogo de cadeiras».

Na opinião de Catarina Martins, um dos sinais da morte do Governo é que «nem Cavaco Silva acredita nele», tendo questionado quais os objetivos do Presidente da República.

«Na realidade, a ele [Cavaco Silva] não lhe interessa nada salvar o país. O que lhe interessa sim é salvar o programa de ajustamento, é garantir que a austeridade continua. É por isso que quer os mesmos três partidos que assinaram o memorando da troika, quer os três juntos a preparar um segundo resgate para o nosso país que aí vem», denunciou.

A deputada do BE alertou que «Portugal está já a negociar um segundo resgate» e que, apesar do Presidente da República falar de salvação nacional, não é disso que se trata, mas sim de «salvar o programa de ajustamento».

Catarina Martins reiterou que «o Governo PSD/CDS acabou porque o programa de ajustamento falhou e essa foi a morte que Vítor Gaspar veio anunciar naquele que foi o único momento de sensatez na insensatez destes dois anos», considerando que o pedido de demissão de Paulo Portas «mostrou também a morte do Governo».

«Bem sabemos que o que Paulo Portas tem dito ao longo dos tempos não se escreve, mas é em todo o caso um sinal de que estes protagonistas não se entendem, não confiam uns nos outros, que ninguém pode confiar neles», sublinhou.