A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, qualificou este sábado como uma “fantasia aberrante” as afirmações do líder do PS sobre uma possível manutenção do Governo em gestão, caso não haja maiorias claras após as legislativas.

A dirigente do BE considerou ainda que estas afirmações de António Costa sobre uma possível decisão do Presidente da República, Cavaco Silva, de manter o Governo em gestão se nenhuma força partidária conseguir uma maioria clara nas eleições legislativas são uma tentativa “desesperada” de apelar ao voto útil.

“Eu julgo que essa afirmação é uma fantasia um bocadinho aberrante, não tem nenhum sentido, há um desespero de tornar estas eleições sobre o voto útil que não dizem nada de bem da democracia. Quem vem a eleições tem é de apresentar projetos, de mobilizar, e não lançar medo ou possibilidades aberrantes, porque essas não ajudam ao debate”, afirmou Catarina Martins aos jornalistas, durante uma visita ao Festival Islâmico de Mértola, no distrito de Beja.


A porta-voz do BE disse que “parece bastante desesperado dizer algo que não tem nenhum sentido para tentar forçar algum tipo de voto útil”, ainda em referência às declarações do líder do PS.

“Nestas eleições estão-se a decidir, de uma forma muito importante, o futuro do país e as opções do país, é sobre elas que é preciso debater e ter decisões, afirmações mais ou menos desesperadas sobre o voto útil são aquelas que afastam as pessoas da política e o que nós precisamos são mais pessoas a participar e não menos”, acrescentou.


O líder do PS defendeu, em entrevista ao Observador, “uma maioria” para os socialistas nas próximas legislativas e afirmou que se o seu partido “não tiver maioria absoluta, o Presidente mantém este Governo em gestão até abril” de 2016.

A dirigente do BE criticou ainda a possibilidade de recondução do atual governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, noticiada pela imprensa e que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, se escusou hoje a comentar, afirmando que o Governo tomará oportunamente uma decisão.

“Passos Coelho está a pagar um favor. O governador do Banco de Portugal até agora tomou como suas as dores que eram dores do Governo e do Banco de Portugal na solução para o BES, na resolução, até nos benefícios fiscais que têm sido dados ao Novo Banco o governador do Banco de Portugal tem assumido sozinho decisões que sabemos que também são do Governo”, disse Catarina Martins sobre a possível recondução de Carlos Costa no cargo.


Para a dirigente do BE, é “difícil dizer neste processo onde é que termina o Ministério das Finanças e onde começa do Banco de Portugal” e a decisão de nomeação do novo governador “não tem a ver com o bom funcionamento” da instituição, “não tem a ver com uma boa regulação, é sim o Governo a pagar o favor ao homem que tem ficado com as dores que também são do Governo, as da solução para o BES”.