A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, afirmou esta sexta-feira que o grande combate do partido nas eleições europeias será a rejeição do Tratado Orçamental, que «impõe grandes constrangimentos a Portugal».

«O instrumento que nós precisamos para decidir do nosso futuro, para poder haver emprego, para poder tratar dignamente quem trabalha é rejeitar o Tratado Orçamental, como temos dito», disse Catarina Martins.

A coordenadora bloquista, que falava à agência Lusa à margem de um jantar, em Loures, alusivo aos 15 anos do partido, sublinhou que a rejeição do Tratado Orçamental, que aponta para limites de dívida pública de 60% do PIB e de défice orçamental de 0,5%, será a «grande batalha» do BE nas eleições europeias de maio.

«O Tratado Orçamental não é um tratado europeu, é um tratado intergovernamental e qualquer país tem o poder para o rejeitar e sair desse tratado e é isso que Portugal deve fazer. Só assim poderemos tomar nós as nossas decisões», atestou.

Catarina Martins comentou, igualmente, o desafio lançado esta tarde pelo Presidente da República, Cavaco Silva, aos jovens, de tentarem uma «experiência na agricultura» como alternativa ao desemprego e à emigração, respondendo que «até no setor agrícola a austeridade se faz sentir».

«Recentemente estive com agricultores, numa pequena feira no norte do país, que me diziam que com a quantidade de obrigações fiscais e burocráticas até aquela agricultura de subsistência está posta em causa», apontou.

Nesse sentido, a coordenadora bloquista defendeu que a emigração dos jovens não se deve à «falta de esforço, de ideias ou empenho», mas sim à «falta de perspetivas de futuro no país».

«Tentar dizer que os jovens podem escolher um futuro, que está nas suas mãos, sem se mudar as políticas, é um engano», considerou.

Catarina Martins reiterou ainda a oposição do BE face à intenção do Governo de alterar as indemnizações por despedimento, considerando que tal visa «empobrecer os despedimentos ilegais» e «precarizar ainda mais» as condições de trabalho.

«Esta é uma medida que não pode passar e exige uma grande mobilização em todo país. Nós não precisamos de facilitar mais despedimentos ou de compensar o crime, mas sim de criar emprego em Portugal», apontou.

No jantar do 15.º aniversário do Bloco de Esquerda marcaram igualmente presença o coordenador do Bloco de Esquerda, João Semedo, e a candidata do partido às eleições europeias, Marisa Matias, que marcou a sua intervenção com críticas ao Tratado Orçamental.