A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE) defendeu esta sexta-feira que os tratados europeus estão "caducos", como demonstra o referendo britânico, e a Europa tem de "admitir a falência" das suas instituições e repensar a forma de cooperação entre Estados-membros.

Os tratados e as instituições europeias estão caducos, e portanto é preciso construir de novo uma nova forma de diálogo e cooperação europeus. Se é difícil? É certamente. Mas nada será mais arriscado que fazermos de conta que está tudo bem", vincou Catarina Martins.

A porta-voz bloquista falava aos jornalistas à entrada para o pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa, onde hoje decorre uma sessão internacional - com o mote "O tempo dos movimentos na Europa" - que antecede a X Convenção do partido, que se realiza no sábado e no domingo.

Catarina Martins diz que "começa agora um tempo de uma responsabilidade política dura" no espaço europeu, época "de uma necessidade de diálogo certamente difícil", mas onde deve haver "coragem" no espaço comunitário.

Ou há coragem na Europa de admitir a falência das instituições e tratados e a necessidade de repensar a forma como cooperamos no espaço europeu ou veremos certamente problemas a crescer todos os dias, com perigos terríveis como a xenofobia e o ódio", sustentou.

O Bloco, prosseguiu a sua porta-voz, não deixará "de conversar com o Governo português sobre essa necessidade" de um novo posicionamento europeu.

É a austeridade que descredibiliza todo o projeto europeu, é o autoritarismo que retira legitimidade democrática", continuou Catarina Martins, para quem neste momento deve ser enfrentada a "falência da UE".

E concretizou: "A direita na Europa falhou estrondosamente. A ideia de governação económica a sobrepor-se à democracia dos povos falhou. Este é o momento de reconhecer isso: tratados e instituições estão caducos, é preciso construir uma alternativa na Europa".

Os britânicos decidiram em referendo que o Reino Unido vai sair da UE, com 51,9% dos votos contra 48,1%.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou já a sua demissão com efeitos em outubro.

Numa primeira reação, os presidentes das instituições europeias (Comissão, Conselho, Parlamento Europeu e da presidência rotativa da UE) defenderam um 'divórcio' o mais rapidamente possível, "por muito doloroso que seja o processo".