A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins considerou hoje que “os enfermeiros têm sido muito injustiçados” e considerou que são a “espinha dorsal” do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Independentemente das posições que possamos ter sobre a greve ou mesmo sobre algumas reivindicações, toda a gente compreende que os enfermeiros têm sido muito injustiçados e que precisam de respostas e que já tardam”, disse Catarina Martins, nas Sete Cidades, concelho de Ponta Delgada, Açores.

A responsável lembrou que “os enfermeiros são os licenciados que entram na Função Pública, ou seja, trabalham para o Estado, e começam a carreira com menores salários”, além de que têm as carreiras congeladas “há tanto tempo”.

Acresce que os enfermeiros não têm o problema das 35 horas resolvido, ou seja, trabalham mais horas por menos dinheiro”, adiantou, para acrescentar que têm agora um “problema justo que se levante”, o facto de haver enfermeiros que, além da licenciatura, “têm uma especialização reconhecida pelo Estado português e que o SNS exige e contrata com base nessa especialização”.

Para Catarina Martins, estes enfermeiros “não têm do ponto de vista remuneratório nenhum reconhecimento dessas competências extra”, pelo que “essa situação tem de ser resolvida”.

Acho que o ministro da Saúde tem tardado na resposta e acho que não é ajustado menorizar as reivindicações dos enfermeiros, porque os enfermeiros têm razões de queixa grandes e nestes dois anos viram poucas diferenças na sua situação”, adiantou, defendendo que “está na altura de lhes responder”.

Questionada se os enfermeiros estão mais vulneráveis na divisão quando o Governo decide reunir apenas com o sindicato que não aderiu à greve de cinco dias, a líder do BE escusou pronunciar-se sobre a matéria das negociações.

Não temos que ter todos a mesma posição sobre a greve, a forma como foi convocada ou todas as reivindicações para reconhecermos que é justíssima a ideia de que os enfermeiros devem ser valorizados e de que têm sido a espinha dorsal do SNS e têm sido dos trabalhadores na saúde dos mais maltratados do país”, acrescentou.

Os enfermeiros iniciaram na segunda-feira uma greve, marcada pelo Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (SIPE), que decorrerá até sexta-feira, contra a recusa do Ministério da Saúde em aceitar a proposta de atualização gradual dos salários e de integração da categoria de especialista na carreira.

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, vai reunir-se ainda hoje com o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).