António Costa ter dito o mesmo

"As negociações foram naturalmente  complexas sobre pontos em que havia divergências grandes. Neste momento, estou em condições para dizer que as divergências foram ultrapassadas e estão criadas condições para um Governo estável em Portugal sob uma forma que será conhecida logo que possível"

A líder do Bloco de Esquerda detalhou que as prioridades pelas quais o BE se bate ficaram salvaguardadas nas negociações: proteger o emprego, os salários e as pensões. A "garantia da estabilidade" está nessas condições políticas, explicou: "Havendo condições de estabilidade política, haverão com certeza condições de estabilidade formais".

O BE defende que "é melhor esperar mais um dia ou dois e ter um acordo sério, do que estar com pressa e não fazermos o trabalho bem feito". Mesmo para além desses três pontos fulcrais, na mesa das negociações os outros temas "mais amplos" também estão a chegar "a bom porto". 

Se, perante esta solução apresentada à esquerda, Cavaco Silva quiser, mesmo assim, indigitar Passos Coelho como primeiro-ministro - e a TVI sabe que é essa a sua decisão - o Bloco de Esquerda antecipa que não valerá de nada.

"Indigitar Passos Coelho e Paulo Portas é uma perda de tempo"

Da parte do Bloco de Esquerda, essa realidade terá uma resposta na certa: uma moção de rejeição logo ao programa de Governo, antes mesmo de chumbar o Orçamento do Estado para 2016. "A coligação não corresponde a um resultado maioritário. PSD e CDS-PP perderam maioria, não têm com que se coligar", sustentou.

Passos Coelho tem outro entendimento e saiu da reunião com Cavaco Silva com a "expectativa" de os dois partidos poderem formar Governo "o mais rapidamente possível".  É o que é "evidente" para Paulo Portas, o último a ser ouvido pelo chefe de Estado esta terça-feira. E é o que deverá acontecer, depois de ouvir os partidos que falta - PCP, “Os Verdes” e PAN - na quarta-feira, como manda a Constituição.