Catarina Martins até defende que é ao primeiro partido vencedor que se deve dar possibilidade, inicialmente, de tentar formar Governo. Como PSD, e por via da coligação, o CDS-PP, não conseguiram acordos para um apoio maioritário no Parlamento, é uma "perda de tempo" o Presidente da República dar posse a um Governo minoritário. Até porque há condições para um governo de Esquerda, confirmou, depois de António Costa ter dito o mesmo nem uma hora antes, à saída da reunião com Cavaco Silva, em Belém. 

"As negociações foram naturalmente  complexas sobre pontos em que havia divergências grandes. Neste momento, estou em condições para dizer que as divergências foram ultrapassadas e estão criadas condições para um Governo estável em Portugal sob uma forma que será conhecida logo que possível"


A líder do Bloco de Esquerda detalhou que as prioridades pelas quais o BE se bate ficaram salvaguardadas nas negociações: proteger o emprego, os salários e as pensões. A "garantia da estabilidade" está nessas condições políticas, explicou: "Havendo condições de estabilidade política, haverão com certeza condições de estabilidade formais".

O BE defende que "é melhor esperar mais um dia ou dois e ter um acordo sério, do que estar com pressa e não fazermos o trabalho bem feito". Mesmo para além desses três pontos fulcrais, na mesa das negociações os outros temas "mais amplos" também estão a chegar "a bom porto". 

Se, perante esta solução apresentada à esquerda, Cavaco Silva quiser, mesmo assim, indigitar Passos Coelho como primeiro-ministro - e a TVI sabe que é essa a sua decisão - o Bloco de Esquerda antecipa que não valerá de nada.

"Indigitar Passos Coelho e Paulo Portas é uma perda de tempo"


Da parte do Bloco de Esquerda, essa realidade terá uma resposta na certa: uma moção de rejeição logo ao programa de Governo, antes mesmo de chumbar o Orçamento do Estado para 2016. "A coligação não corresponde a um resultado maioritário. PSD e CDS-PP perderam maioria, não têm com que se coligar", sustentou.

Passos Coelho tem outro entendimento e saiu da reunião com Cavaco Silva com a "expectativa" de os dois partidos poderem formar Governo "o mais rapidamente possível".  É o que é "evidente" para Paulo Portas, o último a ser ouvido pelo chefe de Estado esta terça-feira. E é o que deverá acontecer, depois de ouvir os partidos que falta - PCP, “Os Verdes” e PAN - na quarta-feira, como manda a Constituição.