A coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins considerou, este domingo, que o «desemprego galopante» está a criar uma «crise humanitária», lembrando que o partido vai apresentar terça-feira no Parlamento uma proposta de majoração do subsídio de desemprego.

«Vamos apresentar um projeto de lei para majorar o subsídio de desemprego para acudir à crise humanitária que este desemprego galopante está a criar no nosso país», disse a coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), num comício que reuniu, ao fim da tarde, vários candidatos autárquicos do Grande Porto, na Maia.

«Propomos que o subsídio de desemprego possam durar mais no caso em que há casais desempregados mas também no caso das famílias monoparentais, num momento em que sabemos que a pobreza em Portugal tem rosto de criança e tem rosto de mulher», especificou.

Catarina Martins adiantou, também, que o BE vai propor «a majoração do subsídio de desemprego para os casais em que apenas um [pai ou mãe] está em situação de desemprego» mas em casos em que esse casal tenha «um dependente a cargo com deficiência ou com doença crónica».

Outros dos pontos abordados no discurso de Catarina Martins foi a privatização dos CTT. A coordenadora do BE classificou os CTT como «um serviço público essencial», por serem, conforme defendeu, «um símbolo da soberania nacional» e «uma empresa pública construída com o esforço de quem trabalha». Daí que Catarina Martins considere «um insulto» privatizar este serviço.

«Este serviço público, na última década, nunca deu menos de 50 milhões de euros de lucro ao país em cada ano. Pois o Governo decidiu privatizar os CTT por 600 milhões de euros, um verdadeiro preço de amigo, e decidiu privatizar com uma licença bancária, ou seja quem comprar os CTT a preço de saldo está a comprar ao mesmo tempo o maior número de balcões bancários deste país que são o esforço do serviço público que todos construímos», disse Catarina Martins.

No plano das autárquicas, a coordenadora bloquista lamentou que «no mesmo dia em que o país entrou em campanha eleitoral, a troika tenha aterrado em Lisboa», defendendo que o grande desafio das eleições de 29 de setembro é «derrotar o PSD e o CDS para enfraquecer a troika».

E além dos partidos de direita, também o PS saiu visado. «O PS diz andar incomodado com a política de austeridade mas no momento em que se escolhe entre pensões ou juros, António José Seguro fica, como sempre, agarrado à dívida, agarrado à troika», acrescentou Catarina Martins.