Algumas frases dos líderes do PCP, Jerónimo de Sousa, do BE, Catarina Martins, a propósito do PS, e do secretário-geral PS, António Costa, sobre os partidos à sua esquerda, proferidas durante e depois da campanha eleitoral.
 

ANTES DAS ELEIÇÕES

 
Catarina Martins (19-09-2015):
"Não aceitamos um país de escolhas pequenas. Uma democracia onde só se pode decidir entre quem corta pensões ou quem quer reduzir o rendimento das pensões através do congelamento é uma democracia diminuída e nós aqui vivemos uma democracia por inteiro.”

Jerónimo de Sousa (19-09-2015)

“Esta discussão entre os dois [coligação Portugal à Frente e PS], a ver quem consegue fazer pior, só exige uma solução: nem um nem outro merecem governar o país porque as suas propostas são para atingir os mesmos do costume, os reformados, os que menos têm e menos podem e precisam de proteção social.”


Catarina Martins (22-09-2015):

“O buraco que PSD e CDS foram cavando para o país é o mesmo buraco que o PS continuará inevitavelmente a cavar, porque não é capaz de assumir a responsabilidade de lidar com a dívida e de lidar com o sistema financeiro.”


Jerónimo de Sousa (22-09-2015):
“É curioso que o PS, quando ouve falar desta necessidade de estudo e de preparação em relação ao euro, benze-se três vezes e considera isto uma blasfémia e, no entanto, no seu programa, tem muita conversa, mas tem lá os chamados cenários e tem dois cenários em relação ao euro.”

Catarina Martins (23-09-2015):
“Aquele PS que dizia que há vida para além do défice está desaparecido há muito.”

Jerónimo de Sousa (26-09-2015):
“A vida ensinou-nos, ao longo de 39 anos, que o PS livremente sempre se entendeu com a direita. Teria de acontecer algo de novo para que isso não acontecesse, mesmo quando teve maioria absoluta.”

Jerónimo de Sousa (26-09-2015):
“Qualquer proposta, iniciativa, que defenda os interesses dos trabalhadores e do povo, terá o apoio da CDU. Tudo aquilo que seja moeda de troca, a troco do poder, para abdicar dos nossos princípios, valores, projeto e propostas... tenham paciência!”

Catarina Martins (27-09-2015):

“O PS é a desilusão destas eleições.”


António Costa (27-09-2015):
“É o PS que quer substituir um ciclo esgotado por um novo ciclo de esperança. É o PS que é o partido capaz de unir o país, de unir os portugueses, de falar com todos os parceiros sociais, de promover o diálogo político alargado, de trabalhar com os nossos autarcas de todo o país, independentemente da sua força política.”

Jerónimo de Sousa ( 27-09-2015):

“O PS insiste um pouco na ideia de que a gente devia dar um jeitinho. ‘Escolham lá onde é que poderiam ceder...' Cedermos em relação à renegociação da dívida, Tratado Orçamental, direitos dos trabalhadores e salários? Calarmo-nos em relação ao congelamento das pensões e reformas? Abdicar da defesa do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública e serviços fundamentais? O que querem? Se é sobre isto, nem tentem, nem vale a pena.”


António Costa ( 29-09-2015):

“Estamos sozinhos contra a direita toda unida, a disputar palmo a palmo a vitória nestas eleições. O mínimo que se pede a essas outras forças políticas [CDU e BE] é que, ao menos, concentrem a sua energia, o seu discurso, o seu ataque, na direita, e não desperdicem energia a atacar o PS.”


Catarina Martins ( 29-09-2015):

“O Bloco de Esquerda não está nesta campanha para atacar o PS, o Bloco de Esquerda está nesta campanha para propor, procurar e criar soluções que rompam com a austeridade e o que era mesmo bom era que o PS dissesse qualquer coisa de esquerda.”


António Costa ( 30-09-2015):
“Somos aqueles que sabem abrir e lançar pontes, mobilizar todos, estabelecer diálogo e unir o país, encontrando soluções de governabilidade para o país.”

Catarina Martins ( 02-10-2015):
“O PS já disse alguma coisa sobre as condições em que quer conversar e dialogar? Quando temos vontade de fazer diálogo, quando temos vontade de fazer compromissos somos claros e devemos dizer ao que vimos.”
 

APÓS AS ELEIÇÕES


António Costa ( 04-10-2015):
“O PS não se satisfaz numa maioria negativa, apostada apenas em criar obstáculo, sem ter uma alternativa credível de governo.”

Catarina Martins ( 05-10-2015):

“Reitero hoje o que disse ainda antes da campanha eleitoral a António Costa. O Bloco de Esquerda cá está disponível para conversar sobre uma solução de Governo que salve Portugal.”


Jerónimo de Sousa (06-10-2015):

“Neste novo quadro político, o PS só não forma Governo porque não quer. Nada o impediria de se apresentar disponível.”


António Costa ( 06-10-2015):
“Devemos falar com todas as forças políticas sem exceção. É sabido que há muitos meses, entre as deliberações do PS, está a recusa do conceito de arco da governação - um conceito que, negativamente, tenta delimitar quem são as forças políticas que podem participar em soluções governativas.”

António Costa ( 07-10-2015):
“Foi um diálogo muito franco [com o PCP]. Nos próximos dias, há condições para aprofundar pontos de convergência identificados nesta reunião, dando-lhes expressão institucional.”

Jerónimo de Sousa ( 07-10-2015):
“O PS terá de escolher entre associar-se à viabilização e apoio a um Governo PSD/CDS ou tomar a iniciativa de formar um Governo que tem garantidas as condições para formação e entrada em funções.”

Catarina Martins ( 12-10-2015):

“No que depende do BE fica hoje claro que o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas acabou. Temos hoje as condições para termos um Governo e um orçamento dentro da Constituição da República portuguesa depois de quatro anos de uma direita que não soube nunca respeitar a lei fundamental do país.”


António Costa ( 13-10-2015):

“A Europa pode ficar descansada. O PS não é o Syriza. Quer o PCP quer o BE aceitaram discutir com o PS a viabilização de um governo sem por em causa compromissos internacionais.”


António Costa ( 13-10-2015):
“Temos trabalhado para que esse Governo alternativo possa existir. Estamos a trabalhar com seriedade com todas as forças políticas, designadamente com o PCP. Tivemos uma primeira reunião de trabalho que classifico como muito positiva e que criou condições para pormos fim a um muro que persiste na esquerda portuguesa desde 1975.”

Catarina Martins ( 14-10-2015):
“O BE não faz simulacros. Nós fizemos um desafio claro ao PS ainda na altura da pré-campanha e agora sentamo-nos à mesa exatamente com esse mesmo compromisso e a fazer o trabalho que possa permitir a Portugal uma solução de Governo que recupere rendimentos e combata a precarização do trabalho.”

Catarina Martins ( 16-10-2015):
“A estabilidade [de um governo de esquerda] passa por um processo de convergência entre forças políticas diferentes, que estão empenhados nesse processo, que tem de ser liderado pelo PS porque teve mais votos e é o único em condições de formar Governo.”

Jerónimo de Sousa (   21-10-2015):

“Indigitar Passos Coelho será uma perda de tempo. Há uma maioria de deputados que constitui condição bastante para a formação de um Governo de iniciativa do PS, que permite a apresentação do programa [de Governo], a sua entrada em funções e a adoção de uma política com uma solução duradoura.”


Catarina Martins ( 24-10-2015):

“O Presidente da República isolou-se dos milhões em Portugal que, da esquerda à direita, acreditam na democracia. Por isso, quer queira, quer não queira, vai ter de viver com uma solução de governo que respeite isso mesmo, a democracia.”


Jerónimo de Sousa ( 24-10-2015):
“Existe a possibilidade real de o PS formar Governo e o PCP está fortemente empenhado nessa solução.”

Jerónimo de Sousa ( 31-10-2015):
“No que ao PCP diz respeito, este é um Governo condenado, um Governo que não passará, que soçobrará na Assembleia da República com a aprovação de uma moção de rejeição ao programa que venha a ser apresentada pelo Governo que tomou posse.”

Catarina Martins ( 01-11-2015):
“Já há acordo para que as pensões sejam todas descongeladas e as mais baixas terão mesmo um aumento real (…) Ao longo da legislatura isso irá acontecer com todas e em 2016 com as mais baixas.”

Catarina Martins ( 04-11-2015):
“Tenho a certeza que o milhão de pessoas que depositou o seu voto no Bloco de Esquerda e no PCP são os obreiros de uma solução diferente de governo. São os que permitiram que hoje se fale de uma esperança de um governo que não faça mais empobrecimento no próximo ano.”

Jerónimo de Sousa (07-11-2015)
“Neste processo de reuniões de trabalho que tivemos com o PS nós assumimos que aquilo que era reservado, reservado se deveria manter, numa posição séria. Outros consideraram que é bom estar nas primeiras páginas dos jornais, ser notícia de abertura na comunicação social. Mas entre isso e mantermos a honestidade e nossa posição séria, mantivemos a essa seriedade e essa reserva em relação àquilo que estávamos a trabalhar com o PS.”