A Ria Formosa foi o cenário de uma viagem de barco que levou o Bloco de Esquerda até alto mar. A caravana bloquista, liderada por Catarina Martins e pelo cabeça de lista por Faro, João Vasconcelos, visitou uma exploração de aquacultura "offshore" no alto mar, em Olhão. Um exemplo de uma empresa "sustentável", amiga do ambiente, e que "cria produto em Portugal". Um exemplo que o Bloco diz que "precisamos de reproduzir" no país.

Em terras algarvias, a manhã desta sexta-feira lembrava que o outono já começou: o frio condizia com o céu muito cinzento. Pelas 9:00, no porto de pesca de Olhão, o barco Mar da Armona ali estava, pronto para transportar os bloquistas. Armona por causa da ilha, que ali bem perto, constitui um monumento natural da região.

Na embarcação, o partido foi recebido pelos pescadores da Companhia de Pescarias do Algarve, uma empresa com 186 anos, que se dedica à produção de bivalves através da aquaculutra "offshore" (em mar aberto). O termo e o trocadilho que o mesmo sugere lançou o mote para a boa disposição: estava ali um partido de esquerda focado na valorização de uma "offshore".

À medida que o barco avançava sobre a veia da Ria Formosa e a costa ia ficando para trás, chegava a maresia do Atlântico. A embarcação parou junto às bóias, cheias de bivalves. Os capacetes, as luvas e as galochas dos pescadores não deixavam margem para dúvidas: esta era uma viagem de trabalho.

Primeiro foi o mexilhão. Retirado do mar, em grandes conjuntos. E foi separado ali mesmo, mediante o seu tamanho, através de uma imponente desgranadora. O que era grande seguia para um lado e o que ainda não tinha tamanho suficiente voltava a ser deitado ao mar, para ter tempo de crescer.
 
Acabado o mexilhão, o barco voltou a andar, ao sabor das ondas e das gaivotas. E depois foram as ostras. Grandes redes de pesca erguidas da água salgada. Eram limpas e colocadas em tanques para serem levadas até à costa.

No final, segue tudo para o mesmo sítio: a fábrica onde estes bivalves são transformados para entrarem no mercado.
 
António Farinha, administrador da empresa, que tem cerca de 30 trabalhadores, explicou que a produção não utiliza qualquer tipo de alimento, sementes ou fármacos.

"É um exemplo que precisamos de reproduzir", disse a porta-voz do Bloco. Catarina Martins sublinhou a preocupação desta empresa com o ambiente e a sustentabilidade e o valor que acrescenta ao país, criando emprego por cá, ao invés de apenas recolher e exportar.

"Apanha as espécies com sustentabilidade ambiental, faz a separação logo no barco e depois traz o que apanha para a fábrica, sendo capaz de dar mais valor em Portugal, antes da exportação. É preciso haver sustentabildiade ambiental e capacidade de transformaçao do produto para que fique mais valor em Portugal. Precisamos de gerar trabalho, salários dignos e valor em Portugal. Precisamos de reproduzir estes exemplos."

Um exemplo que, porém, enfrenta dificuldades. António Farinha queixou-se particularmente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, a propósito das análises que o organismo efetua às toxinas.  
 
"Temos análises feitas em laboratórios certificados da União Europeia que não têm nada a ver com as do IPMA. Estamos em setembro e já tivemos quatro meses e meio com a zona interdita. É um prejuízo brutal."
Catarina Martins foi perentória: é preciso "transparência" por parte do IPMA. 

"Precisamos de transparência para que as pessoas eprcebam o que acontece. O IPMA não divulga as análises e esta relação conflituosa entre o IPMA e os produtores tem vindo a criar problemas. Quando fecha ou abre (as zonas de pesca) o IPMA  tem de divulgar as análises."

Uma transparência na pesca que, de resto, o Bloco defende para todos os setores do país.

" A democracia exige transparência, muito mais transparência e que tudo seja escrutinado.  Só assim a democracia pode funcionar."
 

 A viagem terminou era já meio-dia, sob o calor do sol que se sebrepôs às nuvens. O Bloco vai continuar em Olhão. À tarde é para ir para a rua.