A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) insistiu na noite de sexta-feira na necessidade de travar o crescimento dos eucaliptos, pedindo ao Governo para suspender o concurso de nove milhões de euros, em fundos comunitários, para aquela espécie.

Catarina Martins reagiu assim às declarações do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, que esta sexta-feira recusou suspender o referido concurso, assegurando que o objetivo é ordenar a plantação desta espécie e não permitir mais área plantada.

Concordamos que haja linhas de financiamento para ordenar a floresta, mas se o Governo é consequente com esta necessidade de diminuir o eucalipto, tem de parar com este financiamento de nove milhões de euros que serve só para eucalipto e direcioná-lo para outras espécies que podem travar incêndios", disse.

Sublinhando que o país "tem feito tudo mal na sua floresta", a líder bloquista referiu que os 800 mil hectares de eucalipto plantados em Portugal "significam que este é um país mártir de incêndios".

O eucalipto é uma espécie invasora que arde com muita facilidade, que projeta as chamas a muitos quilómetros e é, por isso, um perigo a quantidade de eucalipto que temos no país. Estamos rodeados de combustível", adiantou.

A líder bloquista vincou que os milhões da indústria da celulose "não nos podem de impedir de olhar para o problema dos eucaliptos a mais", afirmando que depois do que aconteceu na região centro no último fim-de-semana "não pode ficar tudo na mesma".

Tirar consequências das tragédias é aprender com os erros e aprender com os erros exige a coragem de enfrentar os interesses que põem em perigo o nosso país", concluiu.

Catarina Martins falava em Ovar, durante o jantar de apresentação do candidato do partido à presidência daquele município, Ismael Varanda.

Na mesma ocasião, o deputado do Bloco, Moisés Ferreira, disse que os bloquistas vão questionar o Governo sobre as falhas ocorridas na rede SIRESP, entre sábado e terça-feira.

Saber que uma PPP [Parceria Público Privada] de 500 milhões de euros, que devia ser o sistema de comunicação de emergência, falhou quando devia estar a funcionar é algo que não pode ficar sem resposta", disse o deputado bloquista.