A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE) Catarina Martins afirmou este sábado que o partido tem «abertura para uma convergência» com outros movimentos de esquerda e que já lançou o desafio para uma plataforma política comum ao Manifesto 3D.

Catarina Martins escusou-se a comentar a saída de Ana Drago, que este sábado anunciou a sua demissão da Comissão Política do partido, evocando uma «divergência profunda e fundamental» com a direção do partido relativamente à estratégia que está a ser seguida.

Numa conferência de imprensa, em Lisboa, após a reunião da Mesa Nacional, Catarina Martins foi questionada repetidamente sobre a saída de Ana Drago, mas disse apenas que «cada pessoa fala sobre as suas próprias razões» e que «cada pessoa é responsável pelo que diz e pelo que pensa».

A coordenadora informou que o BE fez a proposta ao Manifesto 3D há alguns dias e que aguarda uma resposta.

«O Bloco de Esquerda julga que é importante manter o diálogo e nesse sentido lançou ao movimento 3D a proposta de se constituir uma plataforma política comum que nos permitisse uma convergência já nas próximas eleições europeias. Temos toda a disponibilidade para esse processo», detalhou, adiantando, no entanto, que o BE está a preparar a sua própria candidatura às europeias.

«O Bloco de Esquerda está interessado em todas as convergências que rejeitem a política de austeridade e o tratado orçamental e está interessado em juntar todas as forças nas eleições europeias e nas legislativas que aí vêm. A esquerda tem de se reforçar para ter capacidade para responder à grande ofensiva da direita de destruição do nosso país», acrescentou, garantindo que «a abertura do BE existe».

A Mesa Nacional do BE, órgão máximo do partido entre convenções, esteve este sábado reunida em Lisboa para discutir a situação política atual e as próximas eleições europeias, a realizar a 25 de maio.

O partido foi desafiado recentemente pelo manifesto 3D para uma candidatura conjunta ao sufrágio de maio, mas o coordenador do Bloco João Semedo, respondeu que o partido não se iria diluir em «qualquer outra candidatura» às eleições europeias.

A Lusa tentou obter, sem sucesso, um comentário à demissão de Ana Drago junto dos promotores do 3D e do futuro partido Livre.

O eurodeputado Rui Tavares, ex-militante do BE e dinamizador do futuro partido Livre, recusou hoje comentar a demissão de Ana Drago da Comissão Política do Bloco, justificando tratar-se «de uma questão da direção de um partido».

«Não faria sentido comentar e não o vou fazer. São, de facto, questões da direção de um partido», disse, em declarações à Lusa.

Rui Tavares referiu ainda que estar a reagir a esta demissão seria «completamente indelicado, sobretudo em relação à própria Ana Drago», pessoa que conhece «há muitos anos e que saberá dizer das suas razões».

Também o ex-bloquista Daniel Oliveira, do Manifesto 3D, recusou comentar o assunto, afirmando que «seria absurdo» o 3D reagir «sobre a vida interna de um partido».

O ex-deputado e membro da Mesa Nacional do BE Fernando Rosas também se escusou a comentar «assuntos internos do partido».