A coordenadora do Bloco de Esquerda exigiu esta quinta-feira a criação de leis para acabar com um «poder político subjugado aos interesses das finanças», defendendo que «quem fez fortuna à custa do buraco do Banco Espírito Santo (BES)» tem de o pagar.

«No processo do buraco do BES, o problema é que alguém ficou com o que não é seu. Não podem ser os contribuintes a pagar o buraco do BES. Quem tem fortunas feitas à custa de escândalos como estes tem de pagar com as suas fortunas o buraco que causou», defendeu Catarina Martins, em declarações aos jornalistas no Porto à margem de uma visita ao Centro de Linguística.

Catarina Martins afirmou ser «preciso recuar ao Governo de Maria de Lurdes Pintassilgo para encontrar alguém que não esteja na administração do BES», pedindo, assim, o fim de «um poder político subjugado aos interesses das finanças» que «fecha os olhos» aos seus «desmandos».

«Não se pode repetir um BPN [Banco Português de Negócios]. Não pode ficar impune quem fez o buraco e fortuna à custa destas fraudas e é preciso novas leis que separem o poder da finança do poder político e que não permitam a opacidade», resumiu a coordenadora do BE.

Questionada sobre se está preocupada com a contaminação do problema do GES aos contribuintes, Catarina Martins alertou para o facto de não se saber ainda «a dimensão total do buraco».

«Preocupa-nos muito», vincou, alertando para o facto de o grupo económico ter «interesses muito vastos na economia portuguesa» e «muitos postos de trabalho».

Catarina Martins defendeu, por isso, a necessidade de «encontrar regras para a finança», acabando «com a opacidade e impunidade» através de leis «que façam responder e exijam a transparência».

«A promiscuidade entre a finança e o poder político tem de acabar», sublinhou.

A coordenadora do BE considerou a situação «de facto grave», até porque «a cada dia que passa» se assiste «a mais um buraco no GES que tem impacto no BES».

«Os responsáveis têm de responder pelo que fizeram, culpa não pode morrer solteira», sustentou.

Quanto à intervenção do Banco de Portugal no caso (BdP) e à eventual existência de matéria criminal no caso do GES, Catarina Martins considerou «grave» que o país tenha «um supervisor incompetente».

«O BdP tem agido de forma muito lenta e não tem dito a verdade ao país. Dizia que não havia nenhum problema com Ricardo Salgado e a sua declaração às finanças, que agora se sabe que ocultava uma prenda de 14 milhões de euros», recordou a responsável.

Para Catarina Martins, «o BdP tem olhado para o lado no que diz respeito ao escândalo financeiro e ao BES».