A porta-voz do Bloco de Esquerda disse esta segunda-feira, em Coimbra, que, na banca, «não é uma maçã que está podre, é o cesto», referindo que vai propor em 2015 a separação entre a banca comercial e de investimento.

«Não é uma maçã que está podre. É o cesto que está podre», criticou Catarina Martins, sublinhando que foram intervencionados pelo Estado, direta ou indiretamente, «seis bancos», sendo que o problema não é apenas de um banqueiro, "é do regime".

A porta-voz do BE, que falava num jantar de Natal do partido em Coimbra, recordou o inquérito ao caso BES/Grupo Espírito Santo (GES), que decorre no parlamento, em que «um não viu, outro não sabia, o terceiro diz que é o do lado e ainda outro diz que não cá estava».

Catarina Martins comprometeu-se em 2015 em apresentar propostas «concretas sobre a banca», defendendo a «separação entre a banca comercial e de investimento», bem como a transparência nas instituições financeiras.

«Atacar a corrupção em Portugal é atacar este desmando financeiro que faz a sangria do país», afirmou, sublinhando que «o medo tem de mudar de lugar. O medo tem de estar do lado da finança».

Usando exemplos como o partido Syriza, na Grécia, e o Podemos, em Espanha, Catarina Martins salientou que «a desobediência [à austeridade] cresce na Europa», sendo necessária a «solidariedade dos povos e não o compadrio da finança».

A porta-voz bloquista voltou a frisar a necessidade de se reestruturar a dívida, considerando que é «a chantagem da dívida que tem matado a democracia em Portugal», por a austeridade atacar os serviços públicos, «matar a igualdade» e «obrigar as pessoas a sair do país».

A ideia da reestruturação da dívida é «hoje muito mais forte do que há três anos», sendo uma «proposta concreta e densa que mostra qual a saída da crise», notou.

A dirigente do Bloco realçou ainda o compromisso do BE na «luta contra as privatizações» daquilo que são «setores estratégicos que têm de ser públicos», referindo os correios, o setor da energia, bem como a TAP, entre outros.