A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, indicou esta quarta-feira que o partido irá apresentar na próxima semana um pacote legislativo em torno das offshores, com a praça financeira da Madeira a integrar a matéria.

Esta quarta-feira à noite, numa sessão pública em Lisboa, Catarina Martins anunciou algumas das "linhas gerais" desse pacote legislativo, que, afiançou, será apresentado em breve na Assembleia da República.

"Achamos que a transparência é um passo essencial para resolver o problema", vincou a dirigente bloquista, que adiantou também que o partido fez um pedido ao Estado em torno das offshores.

"Pedimos ao Estado que nos identificasse se nalguma empresa do Estado há ligação com offshores", declarou a porta-voz do BE.

No começo de abril o Bloco marcou um debate de atualidade no Parlamento sobre as consequências dos paraísos fiscais, durante o qual, no plano nacional, insistiu no fim da praça financeira da Madeira.

A partir dos Papéis do Panamá (Panama Papers, em inglês) como já são conhecidos, a investigação refere que milhares de empresas foram criadas em offshores e paraísos fiscais para centenas de pessoas administrarem o seu património, entre eles rei da Arábia Saudita, elementos próximos do Presidente russo Vladimir Putin, o presidente da UEFA, Michel Platini, e a irmã do rei Juan Carlos e tia do rei Felipe VI de Espanha, Pilar de Borbón.

Este tema tem marcado a agenda política internacional e também portuguesa nas últimas semanas.

A maior investigação jornalística da história, envolve o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla inglesa), com sede em Washington, e destaca os nomes de 140 políticos de todo o mundo, entre eles 12 antigos e atuais líderes mundiais.

A investigação resulta de uma fuga de informação e juntou cerca de 11,5 milhões de documentos ligados a quase quatro décadas de atividade da empresa panamiana Mossack Fonseca, especializada na gestão de capitais e de património, com informações sobre mais de 214 mil empresas "offshore" em mais de 200 países e territórios.

O semanário Expresso e a TVI estão a participar nesta investigação em Portugal.