A porta-voz do BE exigiu explicações ao país por parte de um «primeiro-ministro caloteiro para com a Segurança Social» ainda antes do próximo debate quinzenal, agendado para 11 de março, na Assembleia da República.

«O BE foi o primeiro partido a chamar a atenção para que não é aceitável que um primeiro-ministro tenha fugido às suas obrigações para com a Segurança Social. Não aceitamos que se esconda atrás do ministro [da Segurança Social] Mota Soares e não venha dar explicações. Dia 11 de março há debate quinzenal. Não posso crer e o país não pode aceitar que até lá não tenha dado todos os esclarecimentos sobre este caso», afirmou Catarina Martins, na sede lisboeta do BE.

Passos Coelho, em resposta ao jornal Público, declarou nunca ter sido notificado da dívida em causa, que prescreveu em 2009, adiantando que, em 2012, quando confrontado com dúvidas sobre a sua situação contributiva, o Centro Distrital de Segurança Social de Lisboa lhe indicou que tinha em dívida 2.880,26 euros, acrescidos de juros de mora - dívida que, apesar de prescrita, poderia ser paga «a título voluntário e a qualquer momento».

«O primeiro-ministro ganhava 7.000 euros por mês e fugiu a uma contribuição de 100 euros. Foi caloteiro para com a Segurança Social. É o mesmo primeiro-ministro que tem perseguido os falsos recibos verdes e chamado piegas a quem, recebendo 500 euros, não é capaz de pagar obrigações muito mais altas do que as que lhe eram devidas na altura», continuou a dirigente bloquista.

Para a Catarina Martins, «não é o BE que precisa de explicações, nem a Assembleia da República, é todo um país que paga as suas obrigações à Segurança Social e ao Fisco».

«É todo um país em que pessoas que tiveram quebras salariais tão assinaláveis, em que tantas pessoas estão em precariedade laboral extrema, estão a ser perseguidas com as multas da Segurança Social. Este país precisa de uma resposta», disse a deputada bloquista.

Sobre o facto de só este mês ter saldado a dívida, o chefe do executivo da maioria PSD/CDS-PP admitiu pretender fazê-lo «apenas em momento posterior ao do exercício do atual mandato», mas, face às perguntas do Público, decidiu «proceder desde já ao pagamento daquele montante» para «pôr termo às acusações infundadas sobre a sua situação contributiva».