O Bloco de Esquerda (BE) pediu esta quarta-feira uma conferência de líderes extraordinária para o final do plenário desta tarde no parlamento para debater a falta de respostas do primeiro-ministro ao partido no debate quinzenal.

A posição, que foi recusado pela presidente da Assembleia da República, foi revelada aos jornalistas pelo partido após uma crispada discussão parlamentar onde a coordenadora do partido, Catarina Martins, disse que a palavra do primeiro-ministro «não vale nada», tendo Passos não respondido a posteriores questões do BE.

«Dado o valor que a minha palavra tem não estará à espera de resposta», disse Pedro Passos Coelho dirigindo-se à bloquista, sublinhando que não iria falar mais «por respeito» pela Assembleia da República e por si mesmo.

Catarina Martins diz que palavra do PM «não vale nada»

Catarina Martins disse esta quarta-feira no parlamento que a palavra do primeiro-ministro «não vale nada», tendo questionado Passos Coelho sobre matérias económicas e ficado sem resposta.

«Dado o valor que a minha palavra tem não estará à espera de resposta», disse Pedro Passos Coelho dirigindo-se à bloquista, sublinhando, num momento crispado de debate, que não iria falar mais no momento de intervenção do Bloco «por respeito» pela Assembleia da República e por si mesmo.

«Neste momento o que Portugal precisa não é de silêncio», devolveu Catarina Martins.

Alguns deputados do PS, como Gabriela Canavilhas, Sérgio Sousa Pinto, João Galamba ou Jorge Lacão abandonaram também na ocasião o plenário.

Na intervenção, a coordenadora e deputada do Bloco disse que Passos Coelho cumpriu o ditado que diz que «quem cala consente», tendo, «à falta de argumentos», optado pelo silêncio.

Antes de Catarina Martins dizer que as palavras de Pedro Passos Coelho «não valem nada», a bloquista havia questionado o primeiro-ministro sobre questões da natalidade e dos cortes de salários e pensões que «foram feitos sempre com a desculpa de que eram medidas pontuais».

O Governo, diz o BE, «quer ir contra a constituição e tornar permanente o que já lhe disseram ser transitório».

Passos Coelho havia dito antes no parlamento que considera que o país não pode regressar ao «nível salarial» nem ao «nível remuneratório das pensões» de 2011.

A interpelação do BE ao primeiro-ministro ficou ainda marcada por uma segunda interrupção esta tarde motivada por protestos nas galerias: depois de dois homens se terem insurgido praticamente no começo do debate, um terceiro foi também retirado posteriormente.

Este segundo episódio acabou por parar os trabalhos apenas por breves momentos, já que o primeiro-ministro declarou à presidente da Assembleia da República que iria prosseguir a sua intervenção, uma primeira resposta ao BE antes dos momentos mais crispados.

No final da intervenção do Bloco no debate quinzenal com o primeiro-ministro todos os deputados do partido abandonaram o parlamento, à imagem de alguns parlamentares do PS.

Assunção Esteves recusou conferência de líderes extraordinária

A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, recusou o pedido do Bloco de Esquerda (BE) para uma conferência de líderes extraordinária para o final do plenário desta tarde, disse à agência Lusa fonte do partido.