O Bloco de Esquerda abriu, esta noite, o jogo sobre o acordo alcançado com o PS. Catarina Martins admite que o valor do salário mínimo nacional está a ser uma das dificuldades nas negociações, para um futuro acordo à Esquerda. "Esta é uma das dificuldades maiores das negociações, em que, em todo o caso, temos vindo a ter aproximações", admitiu.

"As pensões mínimas entre os 2714 e os 343 euros têm sido as mais sacrificadas no nosso país e se houve coisa que ficou acertada, logo no primeiro dia, é quando falamos de pensões mínimas."


Catarina Martins disse esta terça-feira que BE, PS e PCP, para lá de cenários macroeconómicos, estão a discutir convergências, identificando aborto, adoção, exames do primeiro ciclo e entrega dos hospitais às misericórdias como temas "que nunca ficarão na mesma".

"Aconteça o que acontecer há coisas que nunca ficarão na mesma. Eu sei que a humilhante lei do aborto que estes fizeram vai ser revogada. Não há nada que possa parar hoje o processo de parar com o preconceito à frente do superior interesse das crianças e tirar o preconceito do código civil para a adoção ser feita só a pensar nas crianças e na felicidade", começou por elencar.

Na opinião da líder do BE, ninguém perdoaria que estes partidos não acabassem "com o calvário dos exames das crianças do primeiro ciclo", havendo também total acordo em não continuar a entregar hospitais às misericórdias.

"Temos estado a discutir coisas complexas sobre balizas do programa de governo e algumas balizas para começarmos a debater Orçamento do Estado porque ninguém pode dizer que viabiliza um Governo sem começar a perceber qual é o quadro macro em que pode viabilizar um Orçamento", explicou ainda.

Outro tema em discussão são as pensões e aí, a deputada bloquista foi perentória: "com estas negociações acabou o discurso mole de Paulo Portas de achar que pensões mínimas eram só as pensões sociais".

"Eu não posso anunciar que está tudo como nós gostaríamos, mas posso dizer uma coisa: a hipocrisia de tratar, como a direita tratou, as pensões mínimas apenas como sendo as sociais, deixando de lado as pensões mínimas contributivas, essa acabou."


Catarina Martins garantiu que agora quando se fala de pensões mínimas estão em causa todas e recordando que "o programa do PS considerava só a atualização das pensões mínimas sociais, não considerava as outras".

Advertindo que o processo ainda não acabou e não depende só do BE - "depende por exemplo de um PS onde há tensões" - Catarina Martins não prometeu garantias por outros partidos, mas fê-lo pelo Bloco.

"Ficar a ver este momento passar sem fazer nada, acho que não nos perdoaremos. Prefiro mil vezes que possa haver toda a especulação sobre as posições do Bloco de Esquerda durante dois, três dias, semanas, o que for, mas daqui a três meses ter a certeza que lutámos por uma solução real que fez a diferença na vida das pessoas", sublinhou, acrescentando que o partido não ficará "a ver a história passar".

A porta-voz bloquista garantiu que o BE "continua a querer muito mais do que o compromisso" em curso, mas que "não vai faltar a uma solução de estabilidade", falando de um "acordo sólido para solução estável".

Catarina Martins foi perentória: "O Bloco de Esquerda não dorme em serviço e aqui está com as propostas que sempre teve de transparência, de combate à corrupção, de vigilância para a defesa do interesse público e não há ninguém que não saiba que um grupo parlamentar reforçado será um grupo que fará uma reforçada fiscalização ao Governo".