O BE exigiu esta quarta-feira a demissão do ministro da Educação e a anulação da prova de avaliação de conhecimentos dos professores contratados, considerando inaceitável em democracia a entrada de «polícias de choque» nas escolas.

«Senhor primeiro-ministro, tem de demitir o ministro Nuno Crato depois de termos visto hoje inspeções a substituírem-se a direções de escolas, polícias de choque a entrar em escolas. O que se viu hoje não é aceitável em democracia e ao Governo o que resta é anular a prova e demitir o ministro Nuno Crato», afirmou a coordenadora do BE Catarina Martins, logo no início da sua intervenção do debate parlamentar com o primeiro-ministro a propósito do conselho europeu que decorre quinta e sexta-feira em Bruxelas.

Depois deste «aparte», a coordenadora do BE retomou um tema que minutos antes tinha sido abordado pelo secretário-geral comunista, questionando o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, sobre as declarações do presidente do Banco Central Europeu de que «afinal haverá outro programa cautelar».

«A fantasia do Governo sobre o regresso aos mercados está desfeita», disse Catarina Martins, instando o chefe do executivo a revelar «o que PSD e CDS tentam esconder dos portugueses».

Passos Coelho, que começou a sua intervenção avisando que se iria manter dentro do debate europeu e não comentar temas laterais, reiterou que não existe nenhuma negociação em curso entre o Governo português e as instituições europeias e insistiu que o presidente do Banco Central Europeu «não comprometeu coisíssima nenhuma».

Na réplica, Catarina Martins insistiu na abordagem de temas «laterais» e, lembrando recentes declarações do presidente da Comissão Europeia sobre um eventual chumbo do Tribunal Constitucional (TC) a medidas do Governo, interrogou o primeiro-ministro se o executivo equaciona um aumento de impostos caso os cortes nas pensões sejam considerados inconstitucionais.

«Não farei nenhuma declaração relacionada com as questões do TC até o TC se pronunciar», respondeu Passos Coelho, voltando, contudo, a insistir que o debate que decorre esta tarde no plenário da Assembleia da República é referente ao próximo conselho europeu e não «um prolongamento do debate quinzenal».

«Deduzo que ou não tenha tido oportunidade para preparar o debate em matéria de questões europeias ou não tenha uma posição para exprimir no parlamento sobre matéria europeia», disse ainda o primeiro-ministro dirigindo-se diretamente a Catarina Martins, depois da coordenadora do BE ter antecipado uma atitude "subserviente" do PSD e do CDS-PP na reunião do conselho europeu.