A coordenadora do BE Catarina Martins afirmou esta terça-feira que «não existe nenhuma retoma económica no país, mas apenas um discurso de campanha eleitoral» por parte do Governo.

«O Governo fala em retoma económica, Paulo Portas fala em viragem económica. Eu julgo que talvez haja uma viragem, mas no discurso do Governo. A situação do país mantém-se e agrava-se, os cortes no Estado resultam na falta de capacidade de intervenção nos setores mais básicos, seja na intervenção no litoral, seja na saúde », disse Catarina Martins, referindo-se a uma «total falência do Estado».

A deputada do Bloco de Esquerda, que falava aos jornalistas à margem de um encontro com pescadores da Costa da Caparica, afirmou que são os próprios indicadores económicos que contrariam a tese de uma viragem ou retoma económica de que falam alguns membros do Governo.

«Quando vemos os indicadores da economia, o país continua em recessão, a dívida pública está a aumentar, o desemprego é uma tragédia social e um drama para tantas famílias. E um terço da população ativa em Portugal está desempregada ou em subemprego», disse.

«E tantos, tantos, já foram obrigados a emigrar», concluiu Catarina Martins.

Pescadores sem apoios financeiros



A coordenadora do BE Catarina Martins afirmou que sete a oito mil pescadores portugueses não conseguem ir ao mar desde o princípio do ano e não têm recebido qualquer apoio financeiro do Fundo de Compensação Salarial.

«Nós calculamos que haja neste momento sete a oito mil pescadores que não conseguem ir ao mar, que não estão a ter rendimentos básicos para as suas famílias, e que têm direito a este fundo», disse a deputada do BE durante um encontro com pescadores da Costa da Caparica, em Almada.

Depois de se reunir com alguns pescadores que se dedicam à pesca de arte xávega, na Costa da Caparica, Catarina Martins começou por lembrar que o estado do tempo tem impedido milhares de pescadores de todo o país de saírem para o mar e que, por isso, se viram privados de qualquer fonte de rendimento.

«Falámos com pescadores que, desde o princípio do ano até agora, só conseguiram ir oito dias ao mar. E é preciso que tenham acesso ao fundo rapidamente», disse Catarina Martins, lembrando que, ao fim de cinco dias de impossibilidade de saírem para o mar, os pescadores já podem requerer esse apoio financeiro.