Dezenas de pessoas manifestaram-se este sábado com assobios e urros quando a porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, falou do conservadorismo no caso das mulheres que tiveram de espremer as mamas no Porto para provarem que estavam a amamentar.

“A austeridade tem ajudado o pior desse conservadorismo a sair da toca e a tentar ressuscitar aquilo que julgávamos já enterrado. Como sabem aqui no Porto (…), no Hospital de Santo António, mulheres enfermeiras foram obrigadas a espremer as mamas em frente aos médicos da saúde ocupacional para provar que estavam a amamentar”, disse Catarina Martins no discurso que fez no ‘Encontro Feminista do Bloco de Esquerda’, que decorre hoje e domingo no Porto.


A porta-voz do BE, que discursou sobre o tema “Feminismos contra a Austeridade”, disse que julgava que era impossível em Portugal pedir-se para as mulheres terem de espremer as mamas.

“Não podia acontecer no nosso país, aconteceu. Aconteceu e aconteceu mais, depois de ter acontecido, o responsável daquele hospital, veio dizer que tinha de ser assim, porque tinham 'de controlar se estavam a dizer a verdade ou não'”, afirmou.


A bloquista questionou porque é que quando chega a uma “mulher tem de ser diferente” e “porque é que tiveram hoje ”coragem de o fazer” e como é que o Governo continua “a suportar um diretor hospitalar assim”.

“Quando uma pessoa adoece, apresenta um atestado médico, quando vai a um funeral apresenta um atestado médico, mas pelos vistos quando uma mulher está a amamentar e aí o atestado médico já não vale. E aí já vale toda a humilhação”, acrescentou.


Catarina Martins lembrou que estavam numa sala cheia de feministas, com vozes também da Grécia, da Irlanda, de Espanha, que se levantam contra a “opressão da austeridade”.

“Nenhuma de nós nasceu feminista, fez-se feminista. Faz-se feminista quando reconhece a opressão e não a aceita, faz-se feminista quando reconhece essa desigualdade e a combate, faz-se feminista quando sabe que na solidariedade combate a opressão e a desigualdade. E é isso que aqui fazemos. É esse o nosso caminho aqui em Portugal”, declarou a bloquista, arrancando aplausos da plateia.


A sessão internacional "Feminismos Contra a Austeridade" conta com a participação da porta-voz do partido, Catarina Martins, da eurodeputada Marisa Matias, de Afroditi Stampouli, representante do Syriza (Grécia), de Paula Araújo, representante do Podemos (Espanha), e de Emma Clancy, representante do Sinn Féin (Irlanda).

O encontro, que está a decorrer na Academia Contemporânea Espetáculo, na Praça Coronel Pacheco, no Porto, termina dia 17, domingo.