A porta-voz nacional do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, elencou, no hemiciclo, as diferenças entre o programa de Governo que foi apresentado pela coligação PSD/CDS-PP e o programa do novo Executivo, liderado por António Costa, para dizer, num tom carregado de ironia, que "é normal que a direita apresente uma moção de rejeição" pois o programa do PS "é diverso" e isso "ofende-a". A dirigente do Bloco reafirmou o apoio ao Governo socialista, prometendo o chumbo da moção dos partidos de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas.

"Vistas as diferenças é normal que a direita apresente uma moção de rejeição. O programa do PS é diverso e isso ofende-a. Apresentem a moção, cá estaremos para a chumbar."


Catarina Martins fez o paralelo entre as medidas da direita e as do PS ao nível das pensões e dos salários, do Estado social e das privatizações para reiterar que  o Bloco reconhece que o programa do novo Governo "reflete as negociações" encetadas entre socialistas e bloquistas e visa "travar o empobrecimento do país".

As muitas farpas deixadas à direita estenderam-se à sobretaxa, à TAP e ao PIB. Para a deputada bloquista, a direita "foge da realidade".

"PSD e CDS não estão a dever nenhuma explicação sobre a devolução da sobretaxa que se evaporou a seguir às eleições, sobre a fraude na venda da TAP, sobre a estagnação do PIB? Ou será que estão já a prepara-se para dizer que a culpa é do próximo governo? A direita foge do debate da realidade."

Catarina Martins terminou a intervenção, sublinhando a necessidade de combater o fenómeno da emigração, e questionando António Costa com uma pergunta concreta sobre esta matéria: "Quem começou a trabalhar na última década e ainda não emigrou só conhece a lei da selva. O que pode esperar do seu Governo quem acabou os estudos e começou agora a trabalhar?".

Uma pergunta a que o primeiro-ministro respondeu, esclarecendo que uma das prioridades do novo Governo é precisamente travar "o drama da emigração" que "não é um drama só individual", mas para o país, que perde trabalhadores qualificados e, consequentemente, "capacidade de desenvolvimento".