O Estabelecimento Prisional de Évora devolveu ao antigo ministro e ex-dirigente do PS António Arnaut o livro «Cavalos de Vento» que ele tinha enviado a José Sócrates.

António Arnaut enviou, no dia 10 de dezembro, por correio, um livro de sua autoria, ao ex-primeiro-ministro, que está preso preventivamente no Estabelecimento Prisional de Évora. Esta sexta-feira, Arnault foi «surpreendido» ao receber a encomenda devolvida, com a indicação de que tinha sido «recusada» pela cadeia.

Para António Arnaut, a decisão daquele estabelecimento prisional «ofende os direitos de cidadania do detido [José Sócrates] e a dignidade do remetente, que se identifica» no envelope.

O advogado, residente em Coimbra, e fundador do Serviço Nacional de Saúde (SNS), «admitia que o envelope fosse aberto», pelos serviços da cadeia, para verificaram o que continha o seu interior, mas não aceita a decisão de não o entregarem ao destinatário.

«Tratando-se de uma encomenda era natural que a abrissem para verificarem o seu conteúdo», mas a recusa em a entregarem ao recluso «é uma arbitrariedade», sustentou António Arnaut à agência Lusa, adiantando que vai «fazer queixa a quem de direito», pois «isto não pode ficar impune».

A atitude da cadeia de Évora «é uma indignidade em democracia», considerou ainda o histórico socialista, salientando que nem no tempo da polícia política do Estado Novo (PIDE) lhe aconteceu «uma coisa assim, visto que enviava livros» a um seu «condiscípulo moçambicano detido em Caxias».

Além do livro «Cavalos de Vento», de sua autoria, que não está à venda e se destina «exclusivamente a ofertas», António Arnaut enviava uma mensagem a José Sócrates na qual manifestava designadamente intenção de «o visitar logo que possível», acrescentou o cofundador do PS.

Lançado no início de novembro, o livro «Cavalos de Vento», que inclui textos de intervenção cívica, contos, ensaio e poesia, pretende assinalar os 60 anos da estreia literária do autor e os 35 anos do SNS.