O antigo secretário-geral da CGTP afirmou, esta segunda-feira, na TVI24 que “não há em Portugal partidos de primeira e partidos de segunda”, pelo que não compreende o pedido de explicações a António Costa sobre determinadas questões de uma governação à esquerda.
 
“As exigências em relação ao sistema bancário, é caso para perguntar: quais são as preocupações do Presidente da República? Que haja para aí buracos e que este Governo assegure desde já um compromisso solene de que vai aos bolsos dos portugueses para tapar buracos que estão para aí? É isso que se pretende?”, criticou Carvalho da Silva, referindo-se, concretamente, ao pedido de clarificação do ponto seis, sobre a “estabilidade do sistema financeiro”.
 
Carvalho da Silva lembrou, inclusive, que “se há Governo que vai ter de dialogar é este futuro governo”. “Portanto, em relação à concertação social, como em qualquer diálogo no mundo do trabalho, ele vai ser necessário”, insistiu.
 
Sobre o alegado “esvaziamento da concertação social”, temido pelos patrões, este não passa, na opinião do ex-sindicalista de um “foco de possível contra-poder ou possível intervenção que pode perturbar o futuro Governo”.
 
Para Carvalho da Silva, “isto é mau” e desnecessário. “Há três aspetos muito simples: primeiro, não está em causa que a comissão permanente da concertação social discuta o salário mínimo e tenho confiança que o futuro primeiro-ministro, que espero que seja António Costa, terá isso em consideração, mas não sejamos anjinhos. O Governo que agora cessou funções levou à concertação social todo um conjunto de matérias que andou a acertar pontualmente, mas que quem conhece a história do memorando, dos compromissos assumidos pelo Governo português com a União Europeia, quem conhece isso sabe perfeitamente que todas as medidas que ali estavam apenas com acertos pontuais estavam assumidas e foram ali para levar uma chancela”, defendeu, acrescentado que o efeito da legislação daí produzida “permitiu que mais de três mil milhões de euros por ano passassem do fator trabalho para o fator capital”.
 
O presidente da CIP, Confederação Empresarial de Portugal, reiterou a preocupação já manifestada a Cavaco Silva sobre o “ esvaziamento da concertação social” e não apenas no que respeita à reposição dos salários ou ao aumento do salário mínimo.
 
“Nós manifestámos ao Presidente da República a nossa preocupação pelos sinais que estavam a ser dados do Parlamento. porque o país precisa de dois pilares de estabilidade: o político, em sede de Parlamento, e o social, em sede de concertação social. Quando começamos a percecionar alguma tentativa de esvaziamento, a questão dos feriados, a questão do salário mínimo, transferindo essa decisão para o Parlamento e depois apenas uma comunicação à concertação social, transmitimos essa preocupação”, contou António Saraiva.
 
Para o dirigente, “resumir o papel da concertação social ao salário mínimo é redutor”, mas, sendo essa uma questão em cima da mesa para os partidos da esquerda, lembrou que o “acordo de salário mínimo está em vigor e termina em dezembro deste ano”.
 
“Há uma comissão nomeada, da qual fazem parte Governo, entidades patronais e sindicais, e é essa comissão, perante os três indicadores produtividade, crescimento económico e inflação que vai sugerir o valor do salário mínimo em 2016. Quando se vem unilateralmente esquecer este acordo e dar a indicação de que o salário mínimo vai ser em janeiro de 2016 de 530€ e depois vai ter um escalonamento, como foi indicado pela atual maioria de esquerda no Parlamento, é contra isto que nos insurgimos. É não se respeitarem os acordos e já se estar a definir à revelia um valor”, argumentou António Saraiva.